sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

1 DE DEZEMBRO


1 de Dezembro de 08, os passeios do Platô, ou Riba Praia, como faz questão de se referir a esta zona da cidade o meu amigo Guido, foram devolvidas á cidade e a todos quantos por elas circulam por mil e uma razões. Não houve confusão como muitos gostariam, antes pelo contrário, deu-se início ao fim da confusão que era conseguir circular pelas principais ruas do Platô sem tropeçar em algum alguidar, chinelo, sutiã, ou até no cheiro fétido dos restos de vida que iam sendo largados um pouco por toda a parte a cada dia que findava. A Cidade serenava com o cair da noite e voltava a haver espaço para as pessoas circularem nos passeios, mas ficava o cheiro desagradável do caos instalado e pairava a insegurança. As mudanças têm que se processar de forma organizada e respeitando os direitos de todos. Tanto os direitos dos que circulam pela cidade que pretendem fazê-lo de forma agradável e segura como para os procuram o pão de cada dia. Criaram-se alternativas para estes últimos e devolveu-se os passeios à cidade. Porém ainda são visíveis, alguns resquícios do clima de impunidade que gerou a situação que agora se tenta debelar. Os trocadores de dinheiro que alimentam um mercado de vários vícios dissimulados em notas de moeda estrangeira continuam lá. Esperei uns dias para ver qual seriam as reacções a este gesto enorme de boa gestão municipal, mas os intelectuais de serviço estavam todos preocupados com a entrevista despreocupada do Hernani, que não disse nada que não pensasse ser a sua verdade e acima de tudo, a sua opinião e que com certeza, dizem muito do que é a postura deste músico, como músico e como pessoa.
Contudo, neste momento, é importante assinalar este pequeno gesto que pode significar imenso para a cidade que todos nós pretendemos que seja a capital do país. Bem haja.

Texto e Fotografia:Baluka Brazão

terça-feira, 18 de novembro de 2008

RAMEDI TERA

Segundo Aristóteles, o homem como animal social que é, tem como objectivo primordial na vida, o alcance da Felicidade, a que eu gosto de chamar de Equilíbrio. Por viver quase que impreterivelmente em sociedade e ter que se subjugar à maioria das suas regras para atingir a Felicidade, por vezes, não entendendo bem essa regras, ou valorizando em excesso algumas em detrimento de outras, acaba por se deparar com situações em que mesmo estando socialmente bem integrado, por ter interpretado erradamente determinados comportamentos sociais, acaba por não conseguir estar feliz devido a problemas de saúde causadas por comportamentos menos correctos.
O povo cabo-verdiano é um povo reconhecidamente simpático e que gosta de conviver. Exemplo disso é a fama da morabeza crioula! Mas na maior parte dos casos, o convívio em Cabo Verde é acompanhado do consumo de bebidas alcoólicas, havendo mesmo casos de pessoas que quando por força maior são obrigados a absterem-se de beber esse tipo de bebidas, vêm-se praticamente abandonados pelos amigos de sempre. O acto de beber em sociedade, em sã convivência, não é em si um acto nefasto para a saúde pública se for feito com moderação, porque pode ajudar a aliviar o stress e a deixar as pessoas mais extrovertidas no convívio com as outras. No entanto, há o outro lado da moeda, muito usual na nossa sociedade, e que acaba por trazer danos físicos, psicológicos, e por vezes até psiquiátricos. Para completar esse quadro de comportamentos nefastos, existe ainda a tradição de acompanhar essas bebidas alcoólicas com um bom torresmo, carne de porco assada, moreia frita, etc.
Ora o Cabo-verdiano é também conhecido pela sua crença na “RAMEDI TERA”, que na verdade, não passa de uma forma fácil da pretensão de alcançar o bem-estar físico, e consequentemente, o bem-estar psicológico. Porque, é essencial que esteja bem tanto fisicamente como psicologicamente para poder perseguir o seu principal objectivo na vida, a Felicidade. Por isso, recorre a todo o tipo de elixir, com o propósito de alcançar o seu objectivo, já que por vezes, nem os próprios médicos têm soluções para determinados casos. Aí entra em acção a mais nova fórmula de “RAMEDI TERA”: As igrejas evangélicas importadas do Brasil. Vendem doses de felicidade para todo o tipo de situação, que vai desde problemas com o consumo de drogas, até problemas de deficiência física que nem a medicina consegue resolver.
Na Bíblia, esse livro sagrado, está escrito que:” Quem tiver fé do tamanho de um grão de mostarda poderá mover montanhas”… mas essa fé, não pode resultar da troca do pagamento de uma mensalidade a uma qualquer igreja, muito menos da compra de qualquer objecto ungido com azeites de Jerusalém, ou banha de cobra importada… existe na Bíblia também uma passagem em que Jesus expulsa do Templo os vendedores de animais para sacrifícios…
A propaganda do acesso á felicidade através compra de determinados objectos vendidos em certas igrejas, tem sido uma mensagem constantemente difundida na rádio e na televisão, muitas vezes propalada por psicólogos travestidos em pastores evangélicos que visam unicamente o enriquecimento ilícito dessas instituições ditas religiosas e das pessoas que estão á frente delas. E é claro que, o nível de aderência a essas religiões, não pode ser lida como o reflexo dos resultados positivos que esse tipo de instituição religiosa tem devolvido á sociedade, em troca dos bens materiais que recebe desta, mas sim, na ignorância científica que alimenta grande parte desta colectividade, e ainda, no desacreditar das populações nas instituições do Estado que cuidam do bem-estar económico e social.

texto publicado no jornal cv connections

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

ÉTICA




Chegou-me via e-mail, esta fotografia do que se diz ser a nova aquisição do Kutis com o dinheiro da autarquia, é claro! Sem querer entrar numa de criticar por criticar, quando se pode utilizar como crítica ao novo edil praiense outros argumentos, também não percebi a mensagem do kutis a esse respeito porque, a compra desta máquina, pode até ser legal e sem truques de comissões pelo meio. Mas, perante a crise económica que neste momento se atravessa, e as dificuldades financeiras que ele mesmo faz questão de trazer a público e que entendemos ser real pelo que assistimos na anterior gestão, a compra deste topo de gama, seja ele por quatro mil e quinentos contos ou dez mil contos, é de todo IMORAL.

LITRATU


Fotografia:Baluka Brazão

Para quem gosta de fotografia, a partir de agora poderá ver alguns dos retratos que tenho feito no novo Blog que criei para esse fim.Espero que quem venha a utilizar essas fotografias respeite os direitos do autor.Ou seja que pelo menos faça referência ao autor.
O endereço é:www.litratu-tera.blogspot.com
Abraço a todos.
Baluka Brazão

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

UM FUS KI TXÊRA


Foto:Baluka Brazão


Afinal, quando querem, as nossas Polícias funcionam como deve ser! E aqui deve-se elogiar sobretudo a Polícia Judiciária que tem apresentado alguns resultados no combate ao tráfico de drogas no país.
Mas é de se saudar a intervenção feita por esta policia em colaboração com a PN junto dos cambistas do Platô que passeiam impunemente pelas principais ruas do centro da cidade, importunando a todos quantos passam por essas vias. Descobriram-se agora ligações entre estes “balcões de câmbio ambulante” e o tráfico de drogas, e poder-se-á falar também de outras formas ilícitas de fazer negócio e de prosperar, tornando-se depois grandes empresários nacionais, como o José, do último texto do César Cardoso, trazido à estampa pelo Jornal CV CONNECTIONS. Para além de divisas e droga, é muito provável que também se vendam armas e munições nesse mesmo local, e ainda, tabaco contrabandeado.
A mensagem da impunidade perante estes crimes, associado ao fácil enriquecimento dos que o praticam, fez aumentar ao longo destes anos, a quantidade de Trocadores de dinheiro que se concentram nas imediações do mercado do Platô, fazendo os seus negócios, na barba cara dos agentes da autoridade que por aí passam.
Mais uma vez, o incumprimento da lei vem beneficiando o infractor e prejudicando a sociedade. Tardam as medidas para corrigir esta situação...
Será este o tipo de futuros empresários e valores que se pretende para o país?

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

GERADORES...


Fotografia: Baluka Brazão


Após a leitura da extensa entrevista conjunta do nosso Prime e do Ex-Prime, ficou-me a sensação de que tudo o que se passa por cá e que tem dificultado a vida do nativo destas ilhas, está devidamente identificado e que está-se a dar os paços certos no sentido de rectificar as decisões políticas menos acertadas que nos puseram nesta situação. Afinal Cabo Verde continua a ser um país seguro e atractivo para o negócio, apesar das várias notícias que têm sido trazidas a público sobre essas questões de importância vital para o desenvolvimento económico di nôs Tera.
Sem dúvidas que é bom termos um Prime que gosta de poesia e que por isso sonha e tem capacidade de ver um pouco mais além do que o comum dos políticos. E, na verdade, o que mais se tem feito nos últimos tempos em cabo verde, são obras de infra-estruturação. Essa política virada para a criação de condições físicas para que o país possa ter melhores oportunidades de crescimento económico, fez com que por algum tempo, algumas questões de ordem social, tenham sido relegadas para segundo plano. Questões como a segurança, as condições para que os jovens pudessem ter oportunidades de formação e de acesso ao emprego, e ainda reformas que produzissem uma justiça mais célere só agora estão a ser alvo de um tratamento mais consentâneo.
Quem tiver paciência para ler todo o texto da entrevista, ficará com uma ideia de que apesar dos problemas com maior ou menor relevância para o futuro do país, os nossos políticos serão capazes de apresentar soluções para resolvê-los da melhor forma, apesar das discussões a que assistimos de tempos em tempos na Assembleia Nacional!
O discurso digere-se muito bem mas para quem ouve de fontes credíveis que para resolver os problemas da Electra a curto prazo serão necessários investir entre 250 a 500 milhões de euros… e é bom que se entenda que neste momento essa empresa está a racionalizar a distribuição de energia porque não tem dinheiro para pagar aos fornecedores de combustível, que tem uma rede de fornecimento obsoleta, e que não consegue cobrar as suas dívidas, e que não consegue controlar o roubo de energia, etc, etc, etc…
O melhor mesmo é pensar em investir na venda de geradores de energia eléctrica, pois por mais um bom período de tempo será concerteza um bom negócio. Infelizmente lá teremos que continuar a sofrer com a poluição sonora e ambiental e com as taxas que vão aparecendo como “bardolega na tempo txuba”.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

EXPECTATIVAS



Durante o mês que agora termina viveu-se mais um aumento substancial nos preços dos combustíveis no país. A sociedade civil, como já se vem tornando hábito, ficou em “parva e serena”. Não mugiu nem tugiu.
Este quadro social, dejá vu, que vem se repetindo, perante medidas que afectam claramente o poder de compra dos cabo-verdianos, pode levar a pensar que a situação económica que cabo verde atravessa é boa. Tão boa que apesar de se terem verificado três aumentos significativos nos preços dos combustíveis num período de cerca de seis meses, no mesmo ano, as reclamações que se ouviram, foram quase que insignificantes, face ao impacto que essas subidas de preços têm na vida deste povo. Os únicos de quem se ouviu reclamações mais acaloradas, foi dos representantes de algumas empresas de transporte rodoviário e marítimo que se dizem lesados nos magros lucros que obtêm, devido ao aumento das despesas, com a compra de combustíveis.
Sobre o silêncio da sociedade civil… se eu fosse um dos políticos responsáveis pela governação do país ficava preocupado. Porque, é no mínimo estranho que, estando claramente a perder o poder de compra, muito pouca gente manifeste qualquer tipo de desagrado perante esta situação. Por isso, há que pensar que, das duas uma: ou há um consenso que apesar das dificuldades económico que o mundo e o país atravessam os cabo-verdianos estão dispostos a sacrificar-se ainda mais para que o actual governo possa continuar a apresentar números positivos perante as organizações internacionais que nos vêm concedendo empréstimos para o desenvolvimento de Cabo Verde, ou então, estão todos á espera do melhor momento para dar resposta a estes aumentos mal explicados. Vêm aí as eleições legislativas, e parece ser um grave erro ignorar o aviso vindo das autárquicas. Pois, porque apesar destas medidas serem impostas pela ARE, que diz-se ser uma Agência de Regulação Económica independente, a verdade é que, estas medidas descompassadas, ajuda a aumentar as receitas dos importadores e distribuidores de combustíveis, e, o ao governo, ajuda a arrecadar mais impostos.
É claro que todo este processo de aumento de preços dos combustíveis leva a reflectir sobre a oportunidade da medida, principalmente, este último aumento que acontece quando se verificou uma queda dos preços do barril de petróleo a nível internacional, de cento e quarenta dólares para cerca de noventa e tal dólares por barril de petróleo. Como será quando voltar a aumentar?
Perante este cenário fica no ar a pergunta: será que esta foi a forma que se encontrou para compensar o imposto de manutenção rodoviária que o MPD chumbou no parlamento?
Se essa for a leitura do eleitorado, e não havendo correcções por parte do governo no sentido de garantir aos eleitores que nada tem a ver com estes sucessivos aumentos de combustíveis - com principal incidência sobre este último -, estará a entregar os votos de muitos cabo-verdianos que simpatizam com o PAICV, ao MPD, porque estes poderão entender que, esta é a única forma de refrear esta continua perda de poder de compra e consecutiva perda de qualidade de vida. Note-se que, desde que o partido que está no governo reassumiu a governação do país, que vem tomando medidas no sentido de se ir equilibrando os cofres do estado - que dizem ter encontrado praticamente vazios. E apesar da maior parte dessas medidas terem sido tomadas de forma acertada, e com o consentimento da maioria dos cabo-verdianos - que reafirmaram a sua confiança neste partido, conferindo-o um segundo mandato de governação -, a sensação que se tem, é que na prática, muito poucos usufruem das melhorias conseguidas com o sacrifício de todos. E isso poderá acontecer mesmo dentro da classe média, que cada vez mais, vai tendo dificuldades para lidar com o orçamento mensal. Há o crédito da casa para pagar, a conta do carro, o combustível, a oficina, o telefone, as mesadas do filho que está a estudar no Brasil, os canais de televisão a cabo para ver as novelas brasileiras, as férias em Fortaleza… entre outras coisas que todo o cabo-verdiano dos dias de hoje ambiciona minimamente.
De resto a realidade diz-nos que vivemos num país onde as políticas de estado estão cada vez mais viradas para o negócio. A tal ponto que nem mesmo os lugares julgados sagrados, como é o caso da Biblioteca Nacional, são poupados dessa lógica de arrecadação de receitas. A partir de agora, os praienses estarão mais próximos das instalações desse edifício… não porque se tornou esse espaço de busca de conhecimento num lugar mais atractivo, porque passou a ter um espaço de novas tecnologias para o acesso á informação, mas porque se instalou nesse edifício nobre, um balcão de cobranças da CV TELECOM!

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

ECO


Imagem: Sebastião Salgado





O A Semana on-line traz á estampa hoje, a notícia da aprovação de um pacote de seis novos projectos, nacionais e estrangeiros, estimado em cerca de quatrocentos milhões de euros para o sector da imobiliária.
Este é um sector onde se tem investido enormemente em Cabo Verde e obtido muito bons resultados em termos de facturação, das empresas que estão nesse ramo de negócio. Mas paralelamente a isso, vai-se degradando a condição social dos trabalhadores dessa obras - que são a mão-de-obra barata, explorada por essas empresas -, assim como dos locais onde se têm concentrado esses investimentos, porque o único propósito desses empresários, e pelos vistos também dos responsáveis dessas autarquias, e do próprio governo, é obter o maior lucro possível com esses negócios. Não percebem no entanto, que com essa conduta, estão a pôr em causa o futuro desse grande investimento.
A esse propósito, gostei especialmente da reacção da Teresa Brito, e por isso, deixo aqui, em jeito de eco, o texto da sua indignação:

Novo pacote de investimentos no turismo significa mais hotéis & resorts e resorts & hotéis? Ontem, nas notícias da RTP África, das 19h30m, vi uma peça referente à "ilha maravilhosa" que me deixou revoltada.A vila de Sal-Rei com aquele horrível aglomerado de barracas de papelão,albergando trabalhadores que constroem as grandes unidades hoteleiras para receber turistas internacionais? Como foi possível chegar a esse extremo? Queremos uma Boavista à semelhança do Haiti e de outros destinos apregoados onde o exotismo convive com o relaxismo? Seria bom que os autarcas, a população local e as grandes construtoras, pensassem urgentemente um plano para inverter a situação, pois num eventual cenário (CRUZ CREDO) de epidemia, as perdas podem ser avultadíssimas para todas as partes,mas principalmente para as construtoras. Nenhum turista no seu perfeito juízo quer regressar a paraísos infectados. Que tal uma atenção especial para o saneamento básico? E a construção de um bairro social para alojar esses trabalhadores, com uma renda económica. Se recebem um salário é mais que lógico e justo que paguem uma renda para uma habitação condigna. Segundo comentários de alguns investidores, o recurso à mão-de-obra de ilhas vizinhas bem como de gente oriunda de outras paragens tem a ver com o facto de os locais não quererem trabalhar. É caso para perguntar: onde está a dinâmica de trabalho que, outrora, projectou a Boavista para uma significativa prosperidade? Mais recente,na minha infãncia, lembro-me dos navios como Sal- Rei, Maria Tereza e outros que transportavam a famosa CAL, o seu SAL-REI, o bom carvão, a "tchacina", vasilhames de barro, o queijo divino e as tâmaras das "mil e uma noites", melancias, melões, para não falar das conservas de atum com sabor inigualável. Também não é por acaso que Germano Lima escreveu "Boavista: ILHA DOS CAPITÃES". Quem não conhece a Rua dos Capitães, onde moraram homens de grande valor como Ti Cuíno, Ti Plote, Nhô Xavier e Nhô Tatinho, grandes mestres do leme? Uma ilha que no século xix, aparece referenciada na rota dos baleeiros americanos como paragem para abastecimento de provisões. Por último, que dizer da sua Morna, sob o olhar cúmplice da Lua bonacheirona que nos transporta para momentos únicos de felicidade. A Boavista tem tudo para ser, não um paraíso, mas um precioso "oásis" de CABO VERDE. Basta QUERER...

MONTRA



Fotografia: Baluka Brazão


O centro da capital do país continua a produzir diariamente, cenas que demonstram claramente a incapacidade das autoridades municipais no sentido de se fazer respeitar os códigos de postura. O negócio informal que era exercido pelas rabidantes que justificavam essa sua postura com o facto de não conseguirem ter proventos suficientes em outros locais da cidade - e que tinham como mercadoria, legumes, peixe, carne e fruta -, passaram agora a todo o tipo de material que se possa negociar, aproveitando da melhor forma, a altura mais propícia para cada negócio. Nos dias que antecederam a abertura do novo ano lectivo, deparei-me com batalhão de vendedeiras, com os seus alguidares repletos de material que normalmente é vendido nas papelarias e, curiosamente, estavam posicionadas nos passeios que circundam uma das papelarias mais conhecidas do Platô, onde normalmente existem grandes filas de clientes nessa altura do ano. Esse quadro, apesar de um tanto ou quando surrealista, está a tornar-se normal e recorrente na cidade, mostrando a grande capacidade de sentido de oportunidade para o negócio, existente na mulher cabo-verdiana. Mas não são só elas que nos surpreendem, também os nossos irmãos do continente vêem-nos dando lições de como expor as suas mercadorias nas zonas mais atractivas desta área comercial da cidade. Até parece que existe um intercâmbio de experiência entre as duas partes que, de certa forma, vêem assim encontrada a formula para concorrer com as lojas chinesas que invadiram o Platô.
No entanto, este quadro, mostra claramente o grau de desorganização e falta de capacidade ou vontade para lidar com esta situação que vai arrastando e piorando com o passar do tempo.

domingo, 28 de setembro de 2008

DIGRESSÃO



Fotografia: Baluka Brazão

A companhia de dança Raiz di Polon partiu esta madrugada para a Holanda onde estará em digressão por varias cidades desse país por onze dias. Aqui está mais uma oportunidade da grande comunidade cabo-verdiana existente nesse país, estar em contacto com o que de melhor se faz no nosso país em termos de dança, arte e espectáculo. E do país ser mostrado lá fora, por quem tanto tem dado a esta sociedade, sem pedir nada em troca.

sábado, 20 de setembro de 2008

CHAMEM A POLÍCIA MILITAR


fotografia: Baluka Brazão

Vem aí a Policia Militar para as ruas e apesar de uns ser contra e outros a favor, a verdade é que a Policia Nacional, tem-se mostrado impotente para travar a vaga de criminalidade violenta que vem Assolando a nossa capital por tempo excessivo. Portanto goste-se ou não, é preciso estancar esta dinâmica de violência que se vai tornando cada vez maior. E chegados onde estamos, isso só é possível, no imediato, com medidas que possam reprimir essa atitude violenta dos jovens delinquentes da cidade, para depois então, ou em simultâneo, pensar-se em como debelar os males sociais que alimentam esta situação.
Agora é tarde para discursos de coerência. É como chorar sobre o leite derramado. Por isso há que assumir a gravidade da coisa e tratá-la pelo nome. Vamos devolver alguma autoridade á Autoridade, passe a redundância, e trazer alguma segurança ao cidadão, que está farto desta violência gratuita.
Chega de Circo… Queremos Pão, Ordem e Educação!

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

COMUNICAR


Fotografia: Baluka Brazão


Temos uma nova linha de gestão na CÂMARA MUNICIPAL DA PRAIA. Parece haver vontade de apresentar soluções para a cidade. Primeiro a questão das construções clandestinas, em que antes de se proceder ao derrube, devia ter-se preparado as alternativas para as famílias que acabam por ser vítimas do sistema e dos oportunistas que se aproveitam da situação para alimentar a sua ganância pelo dinheiro. Agora a questão dos terrenos para espaços verdes e infra-estruturas urbanas da zona da cidadela. É o levantar da ponta do véu das negociatas de terrenos públicos feitas pelo edil cessante.
Estas são acções que em termos práticos podem até resultar em nada! Mas são válidas só pelo facto de se estar a comunicar um novo tipo de comportamentos para quem vive na capital.
BEM HAJA!

KONTINUASON


Fotografia: Baluka Brazão


É preciso criar registos sobre o que se passou no nosso percurso como povo e vincou a nossa entidade cultural, para sabermos de onde viemos e como chegamos até aqui onde estamos.
Foi apresentado no dia 12 em Mindelo, em estreia absoluta, no âmbito do Festival Mindelact, uma versão - não definitiva - do filme / documentário Kontinuasom. Essa mesma versão poderá ser vista também na cidade da Praia na próxima sexta-feira, dia 19 de Setembro. Este é um projecto que visa dar a conhecer um cabo verde turístico diferente, onde o principal foco é a cultura deste povo secular. As expectativas são muitas, principalmente depois da estreia em Mindelo e dos comentários tecidos sobre esta obra inacabada do realizador espanhol Oscar Martinez.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

UM SONHO



UM SONHO

A verdade é que a vida

Não se vive a sonhar

Vive-se de sonhos

Que nos acompanham

Enquanto os anos passam

Os sonhos por vezes

Tornam-se em tristes realidades

Outras vezes porém

Em sonhos

Sonhos que nunca terminam

Porque nunca paramos de sonhar

Baluka Brazão


Imagem: Angelus/Valério Adami

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

UM CICLO VICIOSO


O mês que agora finda dá-nos razões para acreditarmos numa Praia melhor a médio prazo. Para já, há que assinalar as várias actividades culturais, onde a música continua a ser uma das maiores dinamizadoras. Num só mês foram lançados na capital do país, dois discos que vêm acrescentar valor á nossa cultura e á evolução da nossa música, como música crioula e, portanto, fruto da mistura de várias influências, com especial acento no continente africano.
Seria bom que a nova equipa camarária começasse a pensar na elaboração de um programa de actividades de âmbito artístico e cultural a acontecer na cidade que teria a envolvência dos artistas e promotores de cultura a nível nacional. Acreditamos que é possível fazer da Praia uma cidade com uma programação cultural mensal, trimestral, semestral ou até mesmo anual, desde que haja vontade para se despoletar esse processo que deveria incidir sobre a zona do plateau. Aproveitemos pois todos esses workshops e residências artísticas e interculturais que têm vindo a acontecer por aqui. Se não sabem como fazê-lo, perguntem à Mizá que apesar de criticada por alguns pretensos intelectuais cá da praça, continua a dar lições de humildade, amor á arte e á cultura, organização e dinamismo, conseguindo integrar populações marginalizadas até pelos seus próprios autarcas, mostrando como é que com parcos recursos e muitas ideias, se pode desenvolver o turismo rural no interior das nossas ilhas. Convidem-na para organizar workshops sobre essa matéria e ponham á sua disposição os recursos possíveis, estou certo que ela fará maravilhas. Se não acreditam, dêem-se ao trabalho de dar um passeio até Porto Madeira e comprovem com os vossos próprios olhos, como é que se pode arranjar soluções para ajudar a travar o êxodo rural e desenvolver um turismo muito mais interessante e proveitoso nas nossas ilhas, e ainda, contribuir não só para o desenvolvimento artístico, mas também para o desenvolvimento económico do país. Bons comportamentos geram bons comportamentos. A educação deve centrar-se nos bons exemplos do que se faz por cá e no exterior. Basta querer vê-los e aplicá-los. O que está a acontecer em Porto Madeira é um verdadeiro exemplo paradigmático de como se pode e deve usar a experiência artística para resolver problemas económicos, através da dinamização da cultura.
Depois de ter assistido com grande prazer a abertura da livraria Nhô Eugénio, no piso térreo do prédio onde habito, verifiquei que nas vésperas da inauguração desse espaço, onde se vendem sonhos em forma de livros, a frutaria que também é um investimento de cidadãos estrangeiros, a residir na capital - por coincidência ambos portugueses -, tratou de dar uma lavagem ao visual para não destoar da beleza que emana da vizinha livraria. Aqui está mais um bom exemplo em como bons comportamentos geram bons comportamentos! Pois porque nem só do pão vive o homem… E por isso, começo a pensar na responsabilidade que a nossa edilidade camarária tem na hora de passar licenças para a abertura de estabelecimentos comerciais na nossa cidade. Para além das questões sanitárias e de segurança que por vezes nem a própria câmara cumpre, ficam a faltar as exigências de ordem estética… a que se devia dar a mesma atenção, pois porque esse será um factor que irá desempenhar um papel importante na valorização ou desvalorização do lugar onde esse espaço comercial estará inserido.
Pensemos pois em cultivar bons comportamentos e acabaremos por gerar bons exemplos por toda a cidade, que irão gerar bons comportamentos. Um ciclo que se pode tornar vicioso com bons resultados para a cidade, a ilha e o país.

Foto: Baluka Brazão

ONTEM FUI AO TEATRO!

Ontem fui ao teatro! Depois das peripécias para conseguir bilhetes, graças às minhas amizades, lá consegui o tão desejado ingresso para poder assistir à peça escrita por Mário Lúcio (que muito boas surpresas nos tem oferecido) e encenada por João Paulo Brito. Na Verdade, seguindo o raciocínio do César, e pelo que conheço do trabalho do João Paulo, parece inconcebível que alguém com a sua formação, visão e capacidades, não seja minimamente aproveitado pelo nosso Ministério da Cultura para formar gente nesse sector, e tenha que estar a trabalhar em outras áreas.

Depois do stress de ter que andar atrás dos bilhetes que se esgotaram, da espera para entrar no pequeno auditório - que por incrível que pareça é o melhor que existe na capital para este tipo de espectáculo -, da espera para que começasse a representação e, as desculpas da praxe… enfim, o som, as luzes, a cena, a silhueta, os movimentos, o homem, a mulher, o frigorífico! O que passa pela cabeça de um homem e uma mulher no dia do aniversário de 25 anos de vida conjugal?

Dois actores de primeira classe, proporcionam um diálogo filosófico, por vezes risível, que se transforma em monólogos, e falam-nos dos sentimentos que se desenvolvem ao longo de 25 anos de matrimónio e de convivência intima entre um homem e uma mulher… O que começou com um frigorífico, termina com flores… o que mais poderia um homem oferecer à sua companheira no dia em que completam 25 anos de casamento, senão flores?

Palmas para os actores Raquel Monteiro e Valdir Brito pelo fantástico trabalho em palco. E palmas para todos os que se empenharam no propósito de nos proporcionar uma fantástica noite de teatro.

Senhor Ministro, tire parte do seu precioso e cultural tempo, e aproveite para ir ver o trabalho destes artistas que se esforçam para dar à cidade um teatro de qualidade.



segunda-feira, 25 de agosto de 2008

SÓ FACHADA

O Palácio da Cultura Ildo Lobo na Praia é incontestavelmente um dos raros símbolos do que foi o traço arquitectónico do Plateau. Há dias, reparei que duas das portas da fachada desse belo e maltratado edifício, que devia ser um dos símbolos da dinâmica cultural da cidade e da preservação da arquitectura da zona histórica do centro da cidade, tinham sido pintadas de uma cor amarelada, que contrasta claramente com a cor cinzenta das restantes portas e janelas do edifício. Por momentos pensei que finalmente se tinha tomado a decisão de cuidar deste precioso edifício, mas depois, percebi que as portas em questão resumem-se às portas de acesso ao que foi até bem pouco tempo, o Café Caxito. Ficou-me no entanto uma segunda dúvida colocada pelo Tide:

- Será que pintaram o quadro que simbolizava a ilha do Fogo e o seu famoso café porque se pretende abrir ali naquele espaço mais um super mercado?

-Cruz Credu! Fisga Canhota! Jusus, nhu tem pena di nôs! Nhu tranu kêl pedra la di nôs sapatu!

Foto: Baluka Brazão

terça-feira, 19 de agosto de 2008

O OUTRO DISCO

Numa dessas noites em que nos fazem sentir especial, tinha recebido dois convites para concertos de músicos cujo trajecto musical fui acompanhando e apoiando, sempre que me foi possível fazê-lo. É reconfortante ver uma criança nascer, participar na sua educação, vê-la crescer, e depois orgulharmo-nos por sentir que acabou por se tornar numa pessoa que admiramos. Nessa noite já tinha sentido essa sensação quando me ofereceram o primeiro disco e caminhava agora para o encerramento de uma dessas noites únicas nas nossas vidas. Cheguei ao Kappa, e havia um amontoado de gente, quase todos esperando pelo momento especial que seria a noite de lançamento do primeiro disco a solo de HERNANI ALMEIDA. Depois de me juntar a um grupo de amigos que me esperava no bar, cumprimentar mais uns tantos, tratamos de ir subindo para onde seria o palco principal desta noite especial. Os instrumentos estavam lá e a sala já estava composta, cheia, quase a abarrotar. Quem não fora convidado a tempo tratava de conseguir um convite de última hora, ninguém queria perder essa noite. Os músicos entraram, começaram a tirar as primeiras notas e sentiu-se o cheiro da guitarra de Hernani, AFRONAMIM! Sons de afro-jazz, colhidos durante um percurso inconfundível de quem percebe de música. Sons de vento, de mar, de calmaria, sons de Funaná!!! Já em casa enquanto ouvia o disco que me foi oferecido pelo Hernani com dedicatória especial, perecebi que o segundo tema é tocado ao ritmo do funaná e pus-me a dançar para comprová-lo. Certo, no ritmo certo, um funaná no meio de ventos vindos de barlavento do suave barulho do mar a bater na nossas rochas nuas e outra vez o vento, o barulho das rodas que percorrem as nossa estradas feitas de pedra… Um disco para se escutar, cada som cada ritmo, cada feeling que passa em cada nota tirada da guitarra de Hernani. Aqui encontramos o percurso deste músico, desde as suas experiências juvenis, até as passagens pelos discos de Sara Tavares, Tcheka, Bau, Princesito… aqui encontramos Afro-jazz feito em cabo verde, Afro-jazz tocado á moda de Hernani Almeida. Aqui encontramos música de Cabo Verde!

terça-feira, 12 de agosto de 2008

BRICANDO AOS AVIÕES


Li hoje no A SEMANA on line que a Halcyonair cancelou uma série de voos por causa de uma avaria no seu único aparelho. Depois dos discuros eufóricos da inauguração e de toda a propaganda a volta de uma empresa que com apenas um ATR da primeira geração, diz-se concorrente da TACV, a realidade! A verdade é que a Halcyonair só será concorrente da TACV, se os gestores e colaboradores da nossa empresa Nacional ficarem de braços cruzados à espera que se apaguem as luzes. Não seria normal que uma companhia com muito maior capacidade de oferta e, capacidade de resposta a situações anómalas que acontecem inesperadamente neste sector, para não falar da experiência acumulada (ainda que com alguns vícios à mistura) se deixasse ultrapassar por uma empresa que está longe de poder concorrer com a TACV, em qualquer área do negócio da aviação comercial. Esta é apenas uma pequena amostra de como as coisas funcionam, para os que passam a vida a falar mal da TACV, desejando inclusive o seu desaparecimento.

Apesar dos problemas que atravessa, seria muito mau para o país, deixar que a nossa empresa de transportes aéreos, que completa este ano 50 anos de existência, deixasse de ser o elo de ligação entre os cabo-verdianos, e fosse entregue às empresas privadas, sem experiência nem capacidade de resposta às necessidades do país, este importantíssimo sector dos transportes aéreos, num país formado por ilhas e com fortes pretensões turísticas.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

PRESENTASON


Oxi tem show di presentason di SPIGA di princesito, primêru codjeta dês azágua. Palasiu di Assembleia Nacional sta bai ser palku dês espetákulo, ki dja dura ki nu sta spera, a partir di 21 Hora.

Oxi sta bai ser um sexta fera diferenti na sidadi!

Foto: Baluka Brazão

quarta-feira, 23 de julho de 2008

A NOSSA CRÍTICA

Nos últimos tempos temos assistido a um certo dinamismo artístico e cultural na capital do país que tem sido acompanhado por alguns comentários críticos. Tudo isso tem sido positivo porque tem trazido a público, alguns trabalhos interessantes e por outro lado, estimulado a exploração de novos campos no mundo das artes contemporâneas, que se tem pretendido fazer por aqui. Neste processo todo, a critica joga um papel muito importante porque pode ajudar a corrigir, o que de menos bom se tem feito, resultando daí trabalhos com cada vez mais qualidade. É claro que fazer uma exposição, não passa só por juntar algumas peças de alguma beleza artística e apresentá-las ao público. Tem que haver um discurso que acompanhe essa exposição, um contexto, um conceito que norteie e dê conteúdo ao material exposto. E é sobre isso que deve incidir a critica, sobre as questões técnicas, e não sobre gostos e preferências pessoais, como por vezes parece ser o caso. É preciso que tenhamos uma crítica equilibrada e isenta para que possa ser levada a sério e desempenhe o papel que se espera dela e não seja vista como mero jogo de defesa de interesses de grupo ou despeito.

Imagem de Paul Gauguin: Mimi and her cat

sábado, 19 de julho de 2008

SPIGA

Nhôs bai tudu so faxi, cumpra novo CD di Princesito! Tem um SPIGA pa kada kenha ki krê alimenta si alma ku simenti di palavra, ki ta fala di vida, di homi, dês mundo undi ki ta usadu poesia, pa fala di dor ku ligria.

Há daqueles dias em que nos insuflam o ego de tal forma que nos sentimos privilegiados! Há daquelas noites que os sons que ouvimos vão de encontro ao nosso pensar. Não só os sons da música mas, essencialmente, o som das palavras. Mas hoje eu vou falar apenas da música do primeiro disco que me foi oferecido nessa noite e deixar para depois, o segundo disco, porque cada um, por si só, enche-nos a alma.

SPIGA foi-me oferecido por Princezito e, foi como quando estamos famintos e um amigo nos oferece um prato de comida! O gesto desse nosso amigo conforta-nos; Mas quando tiramos a primeira garfada e começamos a apreciar o alimento que nos foi oferecido, então percebemos a verdadeira grandeza desse gesto.

SPIGA simboliza a nossa cultura alimentar e todos os processos que acompanham a confecção dos pratos á base do milho, que não pode faltar, nos momentos de festa. Este disco do Princezito simboliza um longo processo de pesquisa musical e rítmica do batuko e do finason que é-nos aqui apresentado num formato de expressão contemporânea. A mistura dos ritmos do Batuku e do finason, com o pop e os sons afro-cubanos, é perfeita; tão perfeita como a mistura do milho com os vários tipos de feijão, e os legumes que compõem um prato de cachupa. É como acordar pela manhã com o ritmo do pilon que prepara a farinha para o cuzcuz.

Nhôs bai tudo só faxi… obi novo CD di Princezito!


Foto: Baluka Brazão

quinta-feira, 17 de julho de 2008

O LIXO DA CIDADE



Logo pela manhã, cedo, mal o sol desperta, a cidade enche-se de cores, cheiros e sabores. Cheiro das gentes, no seu frenesim, na eterna busca do pão-nosso para cada dia. A cidade torna-se num grande mercado municipal onde os limites são as ruas e as gentes que enchem os passeios de alguidares coloridos de onde transbordam frutas, legumes, rebuçados, cuecas de todas as cores… “freguês, freguês, bem nu nagosia”. O sol vai-se levantando até pôr-se a pique, soltando as suas labaredas sobre a cidade. Os odores das gentes tornam-se intensos e misturam-se com o cheiro fétido das águas jogadas pela calçada, restos de gente, soltos ao fim de cada dia de labuta que se repete todos os dias. “Mangui é cinquenta escudo cada; doxi, ê madura na mãe”… “Nhu ka krê limon”?

Um pouco mais acima o negócio é outro, puro contrabando… de tabaco clandestino vindo do Senegal ou de outras paragens do continente. A moeda, essa vem da Europa e alguma dos EUA; é a Banca informal, mesmo em frente do nariz de toda gente, até mesmo da polícia que não está ali para se aborrecer com essas coisas… change, change, bu ka kre troka dinhêru?

O que começou com a ocupação dos passeios limítrofes do mercado do Platô, estendeu-se por quase toda a rua 5 de Julho e ameaça tomar de assalto também a avenida Amílcar Cabral, sem que ninguém tome medidas de fundo, para se pôr termo a esta expansão desenfreada do mercado, pelas ruas do Platô.

Vivemos num mundo onde cada vez se vão abrindo melhores oportunidades para quem tem uma melhor situação económica e financeira, tornando mais negra a vida dos que precisam apenas de uma pequena oportunidade para irem sobrevivendo. As ruas da cidade provam isso mesmo, e politicamente, seria incorrecto, neste momento de crise, impor as regras municipais, sem antes se criar uma alternativa a essas gentes que ganham o pão de cada dia de forma mais ou menos engenhosa. Mas é preciso também respeitar os que fizeram os seus investimentos e pagam impostos, cumprindo as regras estabelecidas por esta sociedade. A falta de capacidade dos representantes municipais e do governo para resolver os problemas que afectam a nossa sociedade não pode ser eternamente, justificativo para o desrespeito das leis.

Nas civilizações mais avançadas do que a nossa, as sociedades são geridas através das normas criadas por essas mesmas sociedades, fazendo com que haja um equilíbrio baseado no respeito pelo próximo. Quem não cumpre as regras, sofre penas adequadas ao peso da prevaricação cometida, até que acabe por entender e respeitar essas regras, ou auto-marginalizar-se. Aqui tem prevalecido a lei do mais forte. Ninguém respeita ninguém e como ninguém controla ninguém, a falta de moral impera sobre a moral e os bons costumes!

É preciso arrumar a cidade e não ter como preocupação única a limpeza do espaço físico. É preciso varrer o lixo que está dentro das pessoas que habitam a cidade e não se incomodam em conviver com gente a fazer as suas necessidades fisiológicas em plena via pública, sem o mínimo de pudor e respeito pelos outros. E isso, passa por se fazer cumprir as leis, doa a quem doer!

Foto: Baluka Brazão

domingo, 6 de julho de 2008

DESCASO


A cidade recebeu as primeiras chuvas e as aguas que caíram dos céus, puseram a nu os problemas da deficiente infra-estruturação, a nível do que se tem feito em termos de obras municipais. As ruas e avenidas encheram-se de água como se de ribeiras se tratassem. O pormenor que se chama condutas de escoamento de águas pluviais, ficou a faltar ao longo de toda a obra de pavimentação do Platô e de grande parte da cidade, fazendo com que caídas as primeiras chuvas, se comece a entender que o efeito de erosão será muito maior, fazendo que a manutenção também seja mais cara. Mas o maior problema é a ameaça à saúde pública, devido à estagnação dessas mesmas águas, que ajudam a desenvolver e disseminar doenças como o paludismo. Esta falta de rigor dos políticos na execução de obras públicas pagas com o erário público, acaba por gerar gastos adicionais, fazendo com que se esteja a gastar o dinheiro que se podia estar a aplicar em novos investimentos, na correcção de erros cometidos na execução dessas mesmas obras. Mas o mais grave é o dinheiro que se gasta para se cuidar de maleitas provocadas por esse descaso que por vezes é pago com a própria vida do cidadão.

Baluka Brazão

domingo, 8 de junho de 2008

TEMPOS de CRISE

Em tempos de crise, como a que o mundo atravessa, em que a própria ONU começa a ficar preocupada com a situação do aumento acentuado dos preços dos alimentos - numa fase em que a cotação do petróleo contínua em alta -, e alguns governos começam a propor acções para ajudar a amenizar este cenário de escassez de alimentos, é obvio que, torna-se completamente inoportuno, a aplicação de uma taxa sobre a compra de combustíveis, como forma de garantir, a manutenção das estradas, que vêm sendo construídas. E, se levarmos em consideração, um estudo feito em Portugal, que foi publicado na revista Visão, sobre a poluição do meio ambiente provocada pelos automóveis - que nos diz que os veículos 4x4, poluem quase duas vezes mais que um automóvel normal -, é caso para concluirmos que, em Cabo Verde, o Estado, e a sua frota de luxo, contribuem grandemente para o consumo exagerado de combustíveis e para a conspurcação do nosso meio ambiente. E o pior, é que quem sustenta tudo isso, somos nós! Todos nós somos responsabilizados pelas tomadas de decisões dos senhores governantes que, cada vez mais se vão esquecendo de perguntar, quais as obras prioritárias para o cidadão e quais iriam resultar em alguma melhoria, nas condições de vida das populações. Parece que, a principal preocupação de quem se apodera de um lugar de responsabilidade política no governo, é, requisitar um bom modelo 4x4, que possa dar alguma sustentabilidade social, ao seu novo status.

Ora, se para quem governa o país, ter uma boa máquina sustentada com erário público, é fundamental, é lógico que, construir boas estradas, se torna primordial! É claro que sempre se pode usar o tal argumento que, essas estradas vão ajudar a desencalhar as povoações mais remotas e travar o êxodo rural. Mas a justificação apresentada para a aplicação de uma taxa desta natureza, num momento particularmente difícil para todos, não lembra o Diabo. É que sempre foi necessário fazer-se a manutenção das estradas que já existiam, e essa necessidade não aparece com o alcatroamento dessas vias que se diz, de desenvolvimento. O problema não está na criação desta nova taxa, mas sim, na oportunidade e na forma como foi criada. Tanto é que, a título de exemplo, torna-se completamente descabido, obrigar os pescadores que utilizam a gasolina para alimentar os motores de popa dos sues botes, a pagar mais 7 escudos, por cada litro de gasolina que compram, porque se tem que garantir a manutenção das novas estradas construídas pelo governo.

Como a maior parte da população que irá sofrer directamente com mais esta taxa é urbana, acredito que seria mais justo e mais proveitoso, criar uma taxa de ligação ao sistema de esgotos e de acesso á agua canalizada, e avançar com projectos para esse efeito. Mas os políticos continuam a preferir o “penso logo existo” de Descartes, em vez do “sinto logo existo” de António Damásio.

Texto e foto: Baluka Brazão

terça-feira, 3 de junho de 2008

PRAIA STA KENTI!

Praia, Praia é kenti… Somada, Somada é fresco… Praia… durante este ano, temos vivido uma inesperada actividade artística e cultural na cidade, chegando mesmo a haver dias, em que esse dinamismo é tão intenso que, uma pessoa não consegue acompanhar todas as propostas. Sexta-feira, por volta das 19:00 horas, a praia viveu mais uma noite de arte e magia. A Fundação Amílcar Cabral estava cheia de gente, e a noite que foi tomando forma a partir do desafio que César Schoffield Cardoso lançou a um grupo de artistas residentes na capital, acabou por ser coroada com a participação especial de três artistas, que estão cá a fazer uma residência artística: António Rocha (Badiu di Somada), escritor e pintor; Magaly Ponce (Chilena), professora de Arte na Universidade de Bridgewater nos EUA; e Gisele Creus (Epanhola), dançarina e coreografa. A verdade é que, todos os participantes conseguiram ultrapassar a expectativa que se tinha para esta mostra colectiva. Aliás, começamos por nos surpreender uns aos outros, à medida que íamos arrumando as salas, na véspera do dia da exposição. Depois, foi a confirmação do que já tínhamos sentido! Praia, sta propi kenti!

César Schoffield que com esta exposição tem a sua primeira experiência como curador, bem pode orgulhar-se desta sua iniciativa.


terça-feira, 27 de maio de 2008

Ta Sumara Tempo

A minha foto
Praia, Ilha de Santiago, Cape Verde

Jasmine Keith Jarret

Jasmine Keith Jarret

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