segunda-feira, 21 de setembro de 2009

CLIMA!

Passamos o ano inteiro à espera das chuvas, mas quando elas chegam, começa o nosso desespero: São casas encahrcadas, ribeiras a transbordar, ruas intransitáveis, cidades às escuras e, para piorar as coisas, determinados discursos dos responsáveis camarários.
Ainda a semana passada, depois das chuvadas que caíram em S. Vicente, lá apareceu a Zau na TV, a dizer que situaçãoes do género às que temos assistido, têm acontecido em todo mundo e são consequências das grandes mudanças climáticas!
Se por um lado essa justificação tem algum fundamento, por outro, essas alterações climáticas, só vieram a pôr a nu os erros que se vem cometendo, permitindo a ocupação de terrenos para construção, localizados nos leitos das ribeiras, sem criar infra-estruturas que permitam o escoamento das águas pluviais que, passam a usar as ruas para irem desaguar nas várzeas da cidade. Em alguns casos, nos bairros de construção clandestinas, a situação é de ilegalidade, mas é facto que, existe, em alguns casos, alguma permissividade e complacência da parte das autoridades municipais.
Há mesmo alguns bairros que parecem estar destinados para esse fim! É que ninguém se preocupa em criar lotes de terreno para as famílias mais desfavorecidas, deixando que elas próprias acabem por recorrer a esses bairros para poderem construir as suas habitações, só que, de forma clandestina.
Para além dos perigos a que estão expostos na época das chuvas, exsitem muitos outros, como por exemplo, o risco de deflagraçaõ de incêndios que, no caso de acontecerem, dificilmente poderão ser combatidos pela corporação de bombeiros, devido às complicadas “vias de acesso” existentes nesses bairros.
Os problemas aqui mencionados são só uma pequena parte das condições que proporcionaram o aparecimento desses verdadeiros “gethos” que, continuarão a sua expansão, enquanto não houver uma real percepção da dimensão do problema. Só encarando de frente as falhas que se tem cometido a nível da gestão dos terrenos municipais, é que se poderá tentar corrigir o rumo que os nossos principais centros habitacionais estão a tomar em termos urbanísticos . Porém, não será com discursos do género da Sra. Presidente da câmara de S. Vicente, em jeito de quem sacode a chuva do capote, que as coisas irão melhorar. Agindo dessa forma teremos cada vez mais vítimas a lamentar no futuro.
Os pedidos de solidariedade feitos à sociedade eao governo, devem ser respondidos de forma positiva. Contudo, não podem funcionar como forma de ir buscar mais algum para ser destribuído - como quem distribui aspirinas para dor de cabeça - aos que todos os anos pagam, inclusivé com a vida, pelos erros cometidos por quem, em campanhas políticas, promete-lhes uma vida melhor.

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Jasmine Keith Jarret

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