segunda-feira, 3 de outubro de 2011

PAÍS DE DESENVOLVIMENTO MÉDIO

 O governo em vez de criar condições económicas para que as famílias cabo-verdianas possam ter emprego e renda para construir as suas casas, constituir família e sustentá-la condignamente, distribui material de construção civil, deixa que roubem energia eléctrica, que nos roubem a nossa liberdade de livre circulação de pessoas e bens para que os filhos daqueles que vivem miserávelmente também possam ter ténis e roupas de marca. O governo em vez de criar condições económicas para que os que vivem com dificuldades possam ter esperança num futuro melhor para os seus descendentes vai aos poucos empobrecendo a classe média através de politicas populistas que só servem para ir mantendo o status quo e uma quantidade de benesses distribuidas entre alguns camaradas!
Surpreende-me a falta de ambição e de capacidade de indignação de quem vive, principalmente, na cidade da Praia, onde os cortes de energia têm sido cada vez mais regulares e a resposta que se vê, é o aparecimento de cada vez mais geradores de energia eléctrica que poluem o ambiente com fumo de gasóleo e o barulho das suas máquinas.
Aos poucos vai-nos sendo tirada a qualidade de vida que conseguimos conquistar com muito esforço desde a data da nossa independência para cá e vai-se hipotecando o futuro das gerações vindouras em nome da manutenção do poder por parte dos partidos politicos. Parece que nos recusamos a olhar para os exemplos que vêm de fora, de países europeus que atingiram niveis de endividamento público que se tonaram insustentáveis devido a más politicas económicas traçadas pelos partidos que se encontravam no poder e que está a ser pago pela classe média e por aqueles que vivem com maior dificuldade.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

MINDELO

Foi muito agradável para mim voltar a Mindelo após alguns anos de ausência. Foi assim de repente, após um fim-de-semana deprimente na capital. Mudei os meus planos de início de férias e rumei ao Mindel(act). Faltavam quatro dias para o encerramento do festival de teatro e lá estava eu na noite de Mindelo. O encontro com amigos que curiosamente vivem na capital e que estavam lá por causa do festival salvou a minha primeira noite em Mindelo. Estivemos nas varandas do Hilário e ouvi histórias do que terá sido a Galeria de Nho Djunga. Achei pena que a cidade não conseguisse capitalizar um momento tão alto de expressão cultural que se vem repetindo todos os anos desde o momento em que João Branco e a associação a que pertence deu início a esta epopeia do teatro em terras de S. Vicente. Ouvi estórias de caço-bodi nas ruas do centro de Mindelo, da falta de segurança e de dinheiro que feicha as pessoas em casa. reparei que a praça nova já não tem o mesmo movimento de outros tempos e que mesmo durante o festival de teatro internacional a noite acaba com o off no atrio do centro cultural do Mindelo, um magnifico edificio recuperado ainda nos tempos em que António Jorge Delgado era Ministro da Cultura. Nesse belo edifício existe também uma livraria que espero não ter o mesmo fim do que aquela que funcionava no Palácio da cultura, na cidade da Praia. Afinal, faz-nos mais falta, no centro da cidade e no edificio público que simboliza o acesso á cultura  e a promoção de eventos que visem promover a fruição cultural, uma livraria, do que um banco... ainda que seja da cultura! Este tipo de opções traduz, de certa forma, a impotância que damos ao acesso ao conhecimento em contraposição com o acesso ao dinheiro.
A noite seguinte foi fantástica... pude assistir a um dos momentos altos do Festival. POR UM PUNHADO DE TERRA era a peça escolhida para a noite no auditório do Centro Cultural do Mindelo. Terminou com o público em êxtase a aplaudir o actor deste monólogo tão efusivamente que teve que regressar por três vezes ao palco para agradecer a entusiástica ovação. Sala cheia, como aliás acontece sempre nas noites de Mindelact.
Mindelo, por estes tempos, é uma cidade que tem muito a oferecer, muito mais do que gente a procurar pelos seus encantos. Gostei de estar no Café Mindelo, na Bodeguita de Mindelo, no Vô, nas varandas do Hilário, no Tapas... numa noite sem alternativas, depois de um bom concerto de jazz ao vivo, ouvi jazz fusion num bar dito de streep-tease e acabei num baranga party a ver a praia da laginha por entre grades, qual ave de capoeira. Tive pena de não ter tido tempo suficiente para sentar e apreciar um bom vinho no Zero Point Art Galery... por vezes falta luz, mas não falta arte em Mindelo.
O Mindelact terminou com a leitura de uma mensagem escrita do Presidente da República, uma homenagem muito sentida a Enano, uma festa no pátio do CCM e uma cidade ás escuras onde as opções se encurtam e ficamos confinados aos habitáculos de dois carros em que alguns amigos resolveram fazer um tour pela noite de Mindelo. 
Tenho para mim que são as pessoas que fazem os lugares e S. Vicente continua a ter gente e lugares muito agradáveis. S. Vicente continua a ter gente que se indigna com a forma como foi entregue um espaço tão importante para a cidade como é a Marina de Mindelo a um estrangeiro (não tenho nada contra os estrangeiros que vivem em Cabo Verde nem sentimentos de xenofobia) e a forma como é gerida e fiscalizada essa estrutura de assistência a embarcações de recreio e yates de pequeno porte que passam por Mindelo, onde diz-se acontecer todo o tipo de negócios obscuros que vão desde o tráfego de drogas até á prostituição infanto-juvenil; Que se indigna com o descaso que o governo vem demonstrando ao longo dos últimos anos em relação ao problema do desemprego dos jovens que se reflete nos altos níveis de criminalidade e insegurança que assola a cidade; Na falta de energia que se vem adensando, provocando grandes prejuízos a quem já se debate com muitas dificuldades para ir sobrevivendo; Na forma como os emigrantes de regresso à terra têm que negociar com os funcionários das alfandegas para poderem retirar os pertences que trazem para retomar as suas vidas em Cabo Verde... mas, também, tem gente que gosta de Jazz, de pintura, de teatro, de boa conversa á volta de uma boa garrafa de vinho. Porém, o maior desafio que me parece terem que vencer os mindelenses é esse estado de letargia em que parecem ter caído que os impede de aproveitar as oportunidades de negócio a cidade lhes oferece.
Hoje, ausente do meu torrão natal em gozo de férias, oiço que o nosso primeiro ministro discursou em crioulo nas Nações Unidas e que a distribuição de àgua e energia eléctrica na capital continua a agravar-se! Parece-me que um dos grandes desafios de quem governa Cabo Verde neste momento é conseguir entender o que é prioritàrio para a melhoria das condições de vida dos cabo-verdianos.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

SERENIDADE, PRECISA-SE!

Terminou a corrida ao palácio do Plateau e, o PAICV, depois da retumbante derrota sofrida, em vez de fechar para balanço, insiste nos saldos de fim de estação! Não reconhecer os erros cometidos durante estas últimas eleições, é insistir no equívoco e continuar a defender valores que em nada dignificam o exercício da cidadania e da política!
Porém, antes mesmo de se tentar corrigir o que andou mal, já começa-se a pensar numa vitória nas próximas eleições autarquicas e, nas legislativas e presidenciais de 2016?
Foi essa obsessão pela manutenção do poder a todo o custo, um pouco ao estilo de Maquiavel, onde os fins justificam os meios, que, em parte, levou o partido da estrela negra á derrota nestas eleições, onde o grande lider afirmava ninguém poder vencê-lo! Enganou-se! Venceu-lhe a vontade do povo que é quem tem sempre a última palavra nestas coisas de eleger os seus legítimos representantes. 
Ganhas que foram as eleições legislativas a 6 de Fevereiro, parece que o pessoal do PAICV, pelos menos uma das facções, embandeirou em arco e esqueceu-se que em democracia a alternância entre os partidos que lutam pelo poder não só é uma realidade incontestável, como saudável!
Eugénio Veiga, no seu melhor estilo, ainda em tempos de ressaca, já veio trazer recados aos insurgentes, apontando-lhes a porta de saída do partido! 
Esta é uma questão muito sensível que deveria ser tratada com muito cuidado dentro do PAICV para evitar uma derrocada maior ainda do que aquela que aconteceu neste pleito eleitoral e garantir a tão propalada "estabilidade" governamental. 
Depois de o país ter assistido incrédulo aos acontecimentos que deixaram muitas feridas abertas no partido que neste momento responde pela governação do país e o total envolvimento da máquina administrativa do Estado na campanha para tentar eleger o candidato escolhido oficialmente pelo PAICV para concorrer ao cargo de Magistrado Mor da Nação, o que se espera desse partido, é alguma contenção verbal e serenidade para governar o país que, em tempos de crise, parece ter estado cerca sete meses em campanhas eleitorais!

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

O PREÇO DA LIBERDADE

Em Cabo Verde ainda existem jovens que acreditam que a política é uma actividade Nobre que deve ser feita através do debate de ideias, do respeito pelo adversário (e não inimigo), através da apresentação de propostas políticas que garantam a todos os cabo-verdianos uma vida com o mínimo de dignidade, que promovam a meritocracia, em vez do seguidismo e do clientelismo, que garantam a liberdade de pensamento e o livre exercício da cidadania, em vez do insulto gratuito, da compra de consciência, da coerção física e psicológica. É nos valores defendidos por estes jovens que a sociedade deve depositar a sua confiança na construção de um Cabo Verde melhor onde sejam respeitados os Princípios estruturantes da Républica: o Princípio da Dignidade da Pessoa Humana, o Princípio da Igualdade, o Princípio da Liberdade e o Princípio da solidariedade!
O voto é a melhor arma para lutar contra as tendências para uma democracia totalitária. A Liberdade não tem preço porque é um bem tão precioso quanto a Vida!

quarta-feira, 27 de julho de 2011

TEMPO DE BRUXAS

José Maria Neves, depois da afirmação incendiária feita no palanque da Vila Nova, em comício de campanha para as eleições presidenciais (sobre os motivos que terão levado ao assassinato de Cabral), vem agora, publicamente, justificar essa sua atitude extenporânea, dizendo que a sua intenção era a de chamar a atenção aos militantes do partido para os estragos que uma luta intestina pelo poder pode causar. 
Não obstante a reação histérica da ala apoiante de Aristides Lima, parece obvio que apesar de se entender a legitimidade de José Maria Neves em querer chamar à razão os seus camaradas desavindos, através de uma intervenção que chocou a estes  e à sociedade civil em geral, o momento e o lugar escolhido para proferir tais afirmações, ainda que tivessem unicamente esse propósito, não foram os melhores e, isso justifica as reações que temos vindo a presenciar um pouco por todo o lado.
José Maria Neves tem-nos surpreendido regularmente com este tipo de provocações tanto nas sua intervenções no parlamento, como nos seus discursos em tempo de campanhas eleitorais. 
Como primeiro ministro deste país deve ser respeitado pelo cargo que ainda exerce e pelo valioso contributo que deu para o desenvolvimento de Cabo Verde, não obstante as críticas que lhe podem ser apontadas nestes derradeiros anos. Por isso, deveria pautar-se por uma conduta mais ponderada a quando das suas intervenções públicas porque o que se tem visto é um discurso provocador que o coloca ao mesmo nível daqueles que o atacam, por vezes, de forma pouco adequada ao que seria normal, tendo em conta o seu estatuto de representante máximo do governo da républica.
Esta campanha para as eleições presidencias, infelizmente, tem sido marcada, acima de tudo, pela luta pelo poder dentro do PAICV, deixando o país totalmente desgovernado. 
Este posicionamento do nosso primeiro ministro pode até ser compreensível se levarmos em conta que a única forma de poder manter alguma "estabilidade" na governação do país, será colocando na presidência da républica alguém que possa garantir a continuidade das suas políticas de governação e que não ponha em causa os expediendes que visam unicamente garantir a manutenção do poder e a sustentabilidade económica através de impostos disfarçados de taxas que vêm diminuindo dia-a-dia o poder de compra dos cabo-verdianos que vão sustentando os luxos de uma administração pública cada vez mais gorda. 
Por outro lado, dentro do PAICV, Filú tem vindo a revelar-se como elemento fulcral na angariação de votos junto às bases, reconhecidamente, pelos meios pouco ortodoxos que utiliza para ir comprando a consciência dos mais vulneráveis e não só, de tal forma que o próprio José Maria Neves viu-se obrigado a conceder-lhe um lugar no actual governo tendo em vista as próximas corridas eleitorais, pensando assim poder mantê-lo sob o seu controlo. Porém, a candidatura de Aristides Lima às presidenciais, à revelia da decisão da direcção do partido em apoiar a candidatura de Manuel Inoçêncio, veio baralhar por completo as contas de José Maria Neves e trazer um novo espectro que vem tirando o sono e a tranquilidade ao grande lider e aos seus pares. 
Não é por acaso que Filú aparece como principal apoiante da candidatura de Aristides Lima, pois que, neste momento, tem muito mais a ganhar do que a perder com esta confrontação directa a José Maria Neves. Com esta manobra Filú está a posicionar-se claramente como o principal concorrente á sucessão de José Maria Neves na liderança do partido, contando para isso, não só com o apoio das bases, mas também com o auxílio das velhas raposas do partido que continuam ainda a ter ambições de poder.
Contráriamente ao que se tem propalado, parece-me que quem tem aproveitado as declarações feitas pelos apoiantes de Manuel Inocêncio para se colocar no papel de vítima, têm sido aqueles que suportam a candidatura de Aristides Lima, que vêm acusando José Maria Neves de ser responsável por todo o tipo de manobras para denegrir a imagem deste candidato e dos que o apoiam nestas lides presidenciais.
Esta não tem sido a campanha desejável para a eleição de um Presidente da Républica que represente todos os cabo-verdianos e seja o garante da constituição, principalmente, para as minorias, que por vezes não têm condições de tutelar os seus direitos fundamentais.
No plano da ética e do debate de ideias Jorge Carlos Fonseca tem demonstrado estar muito à frente dos restantes candidatos, não só pelas suas capacidades politicas, académicas e intelectuais, mas também, por concorrer apenas ao cargo de magistrado supremo da nação  e a sua candidatura não ter subjacente qualquer luta pela liderança do poder partidário. Aliás,não obstante o frenesi dos apoiantes de Lima, querendo demonstrar constantemente que o seu candidato é o que reune melhores atributos para ocupar o palácio do plateau e que inclusivé é desde já o candidato escolhido pela maioria dos cabo-verdianos, parece-me que os resultados do dia 7 de Agosto poderão vir a trazer algum amargo de boca para muito boa gente. Desde já, porque segundo me parece, excluindo o outsider Djack Monteiro, Manuel Inocêncio, apesar de ser dos três restantes candidatos o menos preparado para desmpenhar as funções para as quais neste momento concorre, é o candidato que provávelmente irá grangear a maioria dos votos nos centros rurais onde o factor obras públicas (estradas asfaltadas, barragens, acesso á energia electrica) poderá vir a ter um papel preponderante. Não obstante poder ter a vir que dividir alguns votos com Jorge Carlos Fonseca em algumas localidades, por este candidato ser apoiado pelo MPD, gozando por isso do auxílio das estruturas montadas regional e localmente por este movimento. De resto, Jorge Carlos Fonseca irá ainda concorrer a votos nos grandes centros urbanos e na diáspora, onde é mais conhecido e existe uma maior capacidade de avaliação das caracteristicas de cada um dos candidatos, especialmente, com Aristides Lima. De certa forma, a vantagem que tem sido apontada a Aristides Limas nas previsões feitas até então ajudam um bocado a corroborar esta ideia, uma vez que, estas são feitas, precipuamente, nos grandes centros urbanos.
Perante este quadro de incertezas, é natural que tanto os apoiantes de Aristides Lima quanto os de Manuel inocêncio, estejam inseguros, pelo simples facto que a vitória ou a derrota neste pleito eleitoral poderá significar também, o mesmo resultado nas próximas eleições para a liderança do partido da estrela negra. Portanto, esta guerra á margem das eleições presidenciais, ainda está para durar, sendo por isso, e pelo quadro económico e social que o país atravessa, pouco desejável que se venha a eleger qualquer um dos dois candidatos do PAICV (Manuel Inocêncio ou Aristides Lima) para o cargo de Magistrado Mor da Nação e guadião da constituição que, em caso de grave crise institucional terá que ter autoridade moral e política suficiente para dissolver o parlamento.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

A MESMA MÚSICA

Hoje 27 de abril de 2011, o jornal A SEMANA na sua versão on line, noticia a morte de uma criança inocente, no bairro do Brasil, vítima de bala perdida. Esta criança de apenas dois anos de idade é só mais uma das vitimas mortais de balas disparadas por armas de fogo que estão na posse ilegal de jovens delinquentes que se confrontam quase diariamente nos bairros suburbanos da capital, de entre os quais, o Brasil começa a revelar-se como um dos mais perigosos. E, o curioso nisto tudo, é que esse bairro fica a poucos metros do Ministério dos Negócios Estrangeiros, da Embaixada de Portugal, do Palácio da Assembleia Nacional Popular (onde neste momento se discute o novo programa do governo)... ou seja, cada vez mais próximos daqueles que defendem a ideia de que estes males sociais são o reflexo do desenvolvimento económico do país e que por esse motivo não há como fugir a essa fatalidade. Porém, penso não ser excessivo chamar a atenção para o facto de, com isso, se estar a pôr em causa a segurança de todos e, principalmente, a pôr em perigo de lesão um bem superior, que é a vida.
Pelo que pude ouvir da sessão parlamentar acima referida, parece-me que o Governo e os deputados da situação, sentem-se tão confortáveis com a maioria absoluta que lhes foi concedida através do voto democrático que por vezes se escusam de dar explicações sobre como irá o governo atingir os objectivos projectados neste programa de governo, uma vez que, na maioria dos casos, não se apontam as tarefas (trabalhos com determinado prazo de execução) destinadas a fazer com que esses objectivos sejam alcançados. Há um constante recurso à comparação com o que foi feito nos anos noventa e assume-se que o programa ora apresentado não necessita de explicações mais aprofundadas porque o povo votou massivamente no partido que ora sustenta o governo e que com isso, aprovou tudo o que se fez na legislatura anterior e o que se irá fazer durante a aplicação deste programa de governo. Aliás, houve uma jovem deputada da situação que chegou mesmo a afirmar que este programa representa de certa forma a vontade das nossas gentes pois que foram chamados a dar o seu contributo na formação deste mesmo programa!
As ultimas eleições legislativas determinaram uma maioria que deve constituir o governo e as minorias que devem funcionar como fiscais dessa mesma governação. Portanto, a nosso ver, essa configuração parlamentar deve ser respeitada por todos e, acima de tudo, por aqueles em quem a maioria do povo cabo-verdiano votou para governar o país nos próximos cinco anos. Aliás, parece-me que seria de todo expectável que essa mesma maioria fizesse um esforço para explicar aos cabo-verdianos as questões colocadas pela oposição. Até porque seria uma forma de mostrar que este governo está realmente empenhado na melhoria das condições de vida de todos os cabo-verdianos.
um dos grandes desafios da democracia é, precisamente, o de as maiorias políticas eleitas pela vontade popular de forma democrática conseguirem respeitar os direitos das minorias.
Ora, com as notícias que nos chegam, parece-me que os direitos das minorias não estão a ser devidamente tuteladas e, portanto, urge repensar os valores que sustentam o nosso Estado de Direito Democrático.
A segurança de todos, deve ser garantida pelo Estado, bem assim como a justiça equitativa.
Antes de se pensar no "empoderamento" das famílias de que tanto se falou no novo programa do governo e que a mim me parece pura demagogia, é preciso pensar na segurança dessas famílias.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

TEMPO DE VACAS E IDEIAS MAGRAS

Depois do espectáculo montado à volta do black out provocado por uma avaria na Electra,no dia do frente-a-frente televisivo entre José Maria Neves e Carlos Veiga, durante a campanha para as eleições legislativas, parece-me redundante estar a falar na enorme falta de respeito em que se tem traduzido a postura do governo e dos gestores desta empresa pública, perante os clientes, os cidadãos e os eleitores. 
Não me parece que os cem dias de estado de graça que devem ser concedidos ao governo após a sua tomada de posse justifique tal atitude perante o que tem acontecido. Principalmente, se levar-mos em conta, o argumento então utilizado para acusar publicamente de sabotagem dois técnicos dessa mesma empresa.
Se por um lado até se torna compreensível o aumento do tarifário relativo ao consumo de energia, pelo crescente aumento do preço dos combustíveis, nem sempre bem explicados, já não se entende a preocupação do responsável máximo da Electra em vir publicamente informar aos consumidores e clientes, que isso não irá implicar a exigência da prestação de uma melhor qualidade de serviço, tanto em termos de qualidade como de quantidade. Ou seja este senhor vem confirmar que o problema dessa empresa não é um problema de tesouraria mas claramente de incompetência a vários níveis e de uma total despreocupação em conseguir assegurar aos seus clientes um serviço com o mínimo de qualidade.
Neste ambiente pós eleitoral de subida galopante de preços influenciados pela constante subida de combustíveis, não vemos de que forma a nossa economia poderá vir a recuperar do estado em que se encontra. Uma vez que, tendo cada vez menor poder de compra, a tendência vai ser no sentido das famílias passarem a gastar só o necessário para sobreviver à crise, fazendo com que as empresas tenham cada vez menos rendimentos e o Estado arrecade cada vez menos impostos. Para colmatar este quadro desde já preocupante, isso irá influenciar negativamente os números pouco auspiciosos de empregos disponíveis nos próximos tempos. o que poderá significar mais instabilidade nas famílias mais vulneráveis e provávelmente, mais insegurança social e aumento da criminalidade juvenil.
Seria bom que quem toma decisões políticas que vão afectar a vida de todos neste país, pudesse ter em linha de conta práticas que ajudassem a resolver problemas tão graves como o desemprego e a falta de renda das famílias para sustentarem e educarem os seus filhos, pois, estes são, a meu ver, os problemas que acabam por estar na génese da maior parte das perturbações sociais com que hoje em dia a nossa sociedade se debate.
infelizmente a realidade é cruel e faz questão de nos demonstrar que as pessoas não vivem de poesia. Se é certo que nem só do pão vive o Homem, porém, sem ele, não consegue sobreviver!

Ta Sumara Tempo

A minha foto
Praia, Ilha de Santiago, Cape Verde

Jasmine Keith Jarret

Jasmine Keith Jarret

Arquivo do blogue