quarta-feira, 5 de agosto de 2009

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

CRISE DE VALORES


Fim-de-semana aziago em Dorchester termina com duas vítimas mortais, resultante de mais uma noite de convívio no restaurante Ka- Carlos, ponto de encontro da comunidade cabo-verdiana nessa cidade. Parece-nos exagerado referir-se a esse restaurante como sendo um dos mais luxuosos restaurantes de Boston, onde os cabo-verdianos dessa região se encontram para tomar uns copos, sendo que frequentemente surgem discussões que terminam em brigas com consequências mais ou menos graves. Para além disso, Dorchester é frequentemente fustigada por lutas de gangs de cabo-verdianos que têm vindo a denegrir a imagem dessa comunidade, que tem resultado, inclusive, na deportação de alguns cabo-verdianos residentes nesse país da diáspora, para cabo verde, onde o clima social existente, tem-se tornado num terreno fértil para o aparecimento desse fenómeno, principalmente, na cidade da Praia. O problema de fundo parece ser o mesmo tanto em Dorchester como na Praia: a falta de disponibilidade dos pais para acompanharem a educação dos filhos adolescentes, os valores que as sociedades actuais que têm como paradigma, a valorização dos critérios económicos, abstraindo-se da adopção de critérios culturais, sociais ou ambientais. Em Cabo Verde, apesar dos dois partidos que se vêm alternando no governo se identificarem como sendo de centro direita (MPD) e centro esquerda (PAICV), ambos têm desenvolvido políticas que se aproximam das linhas com que se cosem os partidos de extrema-direita. E, se nos preocupa o facto de uma das grandes fraquezas da governação sustentada pelo PAICV ser precisamente a falta de soluções para o desemprego dos jovens, o grande investimento que se tem feito em infra-estruturação rodoviária, portuária e aeroportuária, ainda que necessário para que se possa dar continuidade ao desenvolvimento do país, irá provocar, a médio prazo, um aumento de impostos, num período de situação de crise económica mundial, com reflexos a nível nacional, ainda que se pretenda mitigar essa questão. Aguardemos pois até 2011 para ver quais as soluções que serão apresentadas por um e outro partido, sendo que as políticas de ambos, se vêm aproximando cada vez mais, apesar de defenderem ideias diferentes.

domingo, 2 de agosto de 2009

POESIA


Palavra:
Cruzado é jogo
Trocado é intriga
Dado é cumprido
Faltado é falsia
D amor é poesia

De Rei é lei
De Senhor, amén
Mal scrito é erro
Bem scrito é arte
Firmado é promessa
Di bó é simplesmente um língua na nha boca

Palavra:
De vivo é vento
De morto é herança
De honra é aval
Às vez é lamento
De Ordi é pa grita

Gritado é força
Às vez é fraqueza
Rimado é beleza
Rumado é blá-blá
Xintido é oraçon
Di bó é simplesmente um lingua na nha boca

Palavra:
A favor é argumento
Cantado é finason
Titubeado é gaguez
Truncado é mudez
Calado, hmm! Desconfia

De Romeu +e julieta
De Quixotre é loucura
De Buda é sapiência
De Fidel é persistência
Di meu podi ser banal
Ma di bó ê simplesmenti um lingua na nha boca

Versos de Mário Lúcio Sousa, interpretados por Mayra andrade, no seu último disco, Stória, stória.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

O Poder, made in CV



Fora do país por uns dias, vou recebendo ecos do nosso parlamento através dos nossos jornais on-line. As últimas, falam de mais uma intervenção despropositada de Jorge Santos, que tem feito o seu percurso nessa casa parlamentar estribado num discurso bota a baixo, e, por vezes, na maioria das vezes, bastante incoerente, como parece ter sido esta última, em que aproveita os laços de sangue existentes entre o Dr. Manuel Barbosa e o Primeiro-ministro, para tentar denegrir a imagem deste segundo. Não é este o discurso político que se pretende para quem lidera o maior partido da oposição com assento no Parlamento e pretende ser o próximo primeiro-ministro do país. Ainda mais, quando se sabe que o advogado em causa, tem afinidades com o próprio MPD e nem sequer foi julgado.
Já na altura em que o Dr. Manuel Barbosa recebeu a ordem de prisão, por alegada ligação ao narcotráfico, me pareceram despropositadas, as declarações do Bastonário da Ordem dos Advogados, que entre outras coisas, terá afirmado que não se terá respeitado o direito à presunção de inocência do suspeito, constituído arguido, e, que a partir de então, qualquer advogado que defendesse alguém suspeito de envolvimento com o mundo do narcotráfico, corria o risco de ser preso. Note-se que o homem ainda nem foi julgado e já está a ser dado como culpado por quem deveria defendê-lo. Parece-me que indivíduos com o nível de responsabilidade do Sr. Bastonário e o até então Presidente do maior partido da oposição deveriam ser mais racionais e menos emocionais, para não dizer calculistas, na hora em que decidem intervir publicamente sobre determinadas matérias.

Fotografia:Jornal da Hiena
Texto:Baluka Brazão

quarta-feira, 29 de julho de 2009

I M BACK



Tornou-se moda falar mal dos TACV, ou então tecer comentários sobre qual a melhor forma de gerir esta empresa de transportes aéreos nacional. É verdade que nos últimos anos a TACV tem passado por vários problemas de gestão que vêm afectando a imagem da empresa, a tal ponto que ninguém parece ter paciência para esperar que as coisas mudem. Ao ponto que as coisas chegaram, não me parece que haja fórmulas mágicas para que de um dia para outro as coisas mudem radicalmente e, as medidas de gestão que se vão tomando só produzirão efeitos em termos de resultados visíveis a médio prazo. Parece-me evidente que esta intransigência com que os media vêm tratando a TACV, em nada ajuda a recuperação da imagem sobejamente desgastada da transportadora aérea de bandeira, principalmente, quando se percebe que muitas das informações que vêm a público, partem de gente com acesso a informações privilegiadas dentro da TACV, que por motivação pessoal, vão usando a comunicação social, com o propósito de mostrar que anda tudo muito mal, pensando que assim, poderão atingir os objectivos pessoais preconizados. Para além disso, nota-se também que, tais informações são postas a circular pelos média, tal como são passadas, sem a mínima preocupação de se averiguar qual a veracidade dos factos noticiados. Presta-se assim um bom serviço a um amigo e um péssimo serviço à nação.
Na verdade a TACV passa por imensos problemas que nos preocupam a todos, especialmente, pelo papel que esta empresa tem de garantir a ligação da maior parte do território nacional, e ainda, parte das comunidades da diáspora ao território nacional. E, a meu ver, muitos desses problemas poderiam ser resolvidos, através de uma escolha criteriosa das pessoas que ocupam lugares de chefias intermédias, que são na verdade, quem garante a transmissão das políticas de gestão emanadas pela Administração da empresa, e, concomitantemente, os níveis de qualidade de serviço prestados pela empresa. Até porque, parece que os problemas existentes, são acima de tudo, problemas comportamentais.

Texto: Baluka Brazão
Fotografia de L. M. Correia

terça-feira, 14 de abril de 2009

QUO VADIS MPD???


À medida que se aproximam as eleições vão-se radicalizando as posições. No MPD, onde há muito se entendeu que Jorge Santos e a sua Direcção teriam poucas hipóteses de vencer José Maria Neves e o PAICV, apesar do desgaste de quase dez anos de governação, pede-se o regresso de Carlos Veiga! Por um lado seria positivo o retorno do líder mais carismático dos ventoinhas a este embate legislativo, desde que trouxesse consigo ideias claras sobre como melhorar a prestação governativa feita até agora pelo Partido no governo e caso chegasse a ganhar pusesse em prática essas ideias, apoiado por uma equipa forte que não seria possível apresentar com o actual corpo directivo. Por outro, se a intenção é tão só, o assalto ao poder, para depois catapultar-se para as eleições presidenciais, como alguns já vaticinam, então seria um erro, que nos lembra os últimos anos de governação do MPD. É Preciso aprender com os erros do passado e pôr os interesses do país á frente dos interesses pessoais e partidários.

Texto e Fotografia:Baluka Brazão

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Kriola En-Kantu


Toda a obra quando concluída guarda nela uma vasta informação seleccionada para constar nela. Mais do que isso guarda sentimentos dois quais o artista não se consegue apartar quando concebe um trabalho artístico. É a sua forma de perceber as coisas, os lugares, suas gentes, seus sons, os seus sabores, mas acima de tudo, é a sua forma de sentir como tudo isso se processa à sua volta.
Este disco que hoje aqui orgulhosamente apresentamos, é a forma como a Isa aprendeu a sentir a música de cabo verde, música crioula e consequentemente, fruto duma grande miscigenação de ritmos e sons, que por aqui passaram e ficaram, transformados no que chamamos de Bandêra, kolá, Mazurka, Coladêra, Morna e Funaná que foram alguns dos estilos escolhidos pela Isa para compor este álbum.
Kriola Encanto é um disco feito á medida da Isa. Doce, suave, melodioso, mesmo quando trata ritmos mais quentes e com os quais lidamos de forma epidérmica, sensorial, reactiva, como é o caso do funaná da faixa 8. É um disco moderno que nos traz estilos tradicionais, antigos, interpretados de forma contemporânea. Aliás para mim essa é uma característica comum aos músicos desta nova geração que tem projectado a música cabo-verdiana muito além das nossas fronteiras e de alguma das limitações que alguns insistem em querer forçosamente preservar, esquecendo o percurso que se fez para chegar até aqui. A forma como hoje se toca o violão na coladêra tem fortes influências da música brasileira, que entraram em cabo verde através do Porto Grande e que se tornaram num legado deixado por músicos como Luís Rendal, que para mim, é o ícone desse estilo, apesar de existirem outros do mesmo calibre. São esses ritmos que vamos encontrar no tema número três, onde Isa traz-nos um cheirinho da Baía, com participação de Voginha, que vem confirmar o trabalho fantástico que vem fazendo na preservação dos estilos tradicionais tocados com o violão.
Ser crioulo implica este tipo de influências que são marcas indeléveis da nossa história e da nossa cultura. Aliás, a fusão entre o batuko e o flamengo no tema número 7 vem provar-nos isso mesmo. Será que esta mistura faz do batuko menos batuko? Ou será que o torna mais rico? São perguntas que ficam no ar. Ouvir com atenção este tipo de trabalho poderá ajudar a fazer julgamentos despidos de preconceitos a este respeito.
Para além disso nota-se que há uma preocupação no sentido de se actualizar também os temas dos versos que compõem os álbuns destes novos artistas. Nesse aspecto, Isa surpreende-nos com 5 temas seus e mais uns tantos de compositores actuais, dos quais não podia deixar destacar a estreante Lay Lobo. Mas, para que hoje pudéssemos estar aqui a apresentar o primeiro registo em CD desta voz encantadora, houve toda uma caminhada, um processo de aprendizado, um trabalho árduo, muitas vezes compartilhado, porém, outras vezes solitário, onde me parece que, o irmão e músico Valdo terá exercido um papel preponderante.
A voz é considerada o primeiro instrumento musical. Por isso, para quem já aprendeu, ou pelo menos tentou aprender a tocar violão, esse instrumento tão popular entre nós, sabe as dificuldades com que se deparou no início, para conseguir fazer com que os dedos respeitassem a vontade do cérebro e as dores que se apoderam das articulações durante essa fase de iniciação. Imagino o quão difícil terá sido para a Isa conseguir chegar a este ponto de ter um domínio perfeito sobre as suas cordas vocais e por fim, presentear-nos com esta sua primeira obra musical que nos fala de cabo verde e da diversidade da cultura das suas ilhas; um disco que os nossos ouvidos não se cansam de ouvir porque é como se fosse um suave massajar para os nossos sentidos. É claro que se tem forçosamente de partilhar estes elogios com os músicos escolhidos para acompanhá-la e que encaixaram na perfeição neste trabalho, onde mais uma vez, Hernani Almeida, joga um papel importantíssimo como Director musical e músico de referência. Surpreendeu-nos sobretudo a sua performance na guitarra baixo eléctrica, uma vez que é a primeira vez que o ouvimos tocar tal instrumento e sempre com a mesma qualidade a que nos habituou. A isso teremos ainda que acrescentar, a forma como conseguiu dirigir os músicos que participaram neste trabalho, todos com enorme experiência e talento, fazendo com que a sua destreza instrumental ajudasse a destacar ainda mais as qualidades da voz desta “Kriola Enkantu”.

Ta Sumara Tempo

A minha foto
Praia, Ilha de Santiago, Cape Verde

Jasmine Keith Jarret

Jasmine Keith Jarret

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