quarta-feira, 10 de setembro de 2008

UM SONHO



UM SONHO

A verdade é que a vida

Não se vive a sonhar

Vive-se de sonhos

Que nos acompanham

Enquanto os anos passam

Os sonhos por vezes

Tornam-se em tristes realidades

Outras vezes porém

Em sonhos

Sonhos que nunca terminam

Porque nunca paramos de sonhar

Baluka Brazão


Imagem: Angelus/Valério Adami

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

UM CICLO VICIOSO


O mês que agora finda dá-nos razões para acreditarmos numa Praia melhor a médio prazo. Para já, há que assinalar as várias actividades culturais, onde a música continua a ser uma das maiores dinamizadoras. Num só mês foram lançados na capital do país, dois discos que vêm acrescentar valor á nossa cultura e á evolução da nossa música, como música crioula e, portanto, fruto da mistura de várias influências, com especial acento no continente africano.
Seria bom que a nova equipa camarária começasse a pensar na elaboração de um programa de actividades de âmbito artístico e cultural a acontecer na cidade que teria a envolvência dos artistas e promotores de cultura a nível nacional. Acreditamos que é possível fazer da Praia uma cidade com uma programação cultural mensal, trimestral, semestral ou até mesmo anual, desde que haja vontade para se despoletar esse processo que deveria incidir sobre a zona do plateau. Aproveitemos pois todos esses workshops e residências artísticas e interculturais que têm vindo a acontecer por aqui. Se não sabem como fazê-lo, perguntem à Mizá que apesar de criticada por alguns pretensos intelectuais cá da praça, continua a dar lições de humildade, amor á arte e á cultura, organização e dinamismo, conseguindo integrar populações marginalizadas até pelos seus próprios autarcas, mostrando como é que com parcos recursos e muitas ideias, se pode desenvolver o turismo rural no interior das nossas ilhas. Convidem-na para organizar workshops sobre essa matéria e ponham á sua disposição os recursos possíveis, estou certo que ela fará maravilhas. Se não acreditam, dêem-se ao trabalho de dar um passeio até Porto Madeira e comprovem com os vossos próprios olhos, como é que se pode arranjar soluções para ajudar a travar o êxodo rural e desenvolver um turismo muito mais interessante e proveitoso nas nossas ilhas, e ainda, contribuir não só para o desenvolvimento artístico, mas também para o desenvolvimento económico do país. Bons comportamentos geram bons comportamentos. A educação deve centrar-se nos bons exemplos do que se faz por cá e no exterior. Basta querer vê-los e aplicá-los. O que está a acontecer em Porto Madeira é um verdadeiro exemplo paradigmático de como se pode e deve usar a experiência artística para resolver problemas económicos, através da dinamização da cultura.
Depois de ter assistido com grande prazer a abertura da livraria Nhô Eugénio, no piso térreo do prédio onde habito, verifiquei que nas vésperas da inauguração desse espaço, onde se vendem sonhos em forma de livros, a frutaria que também é um investimento de cidadãos estrangeiros, a residir na capital - por coincidência ambos portugueses -, tratou de dar uma lavagem ao visual para não destoar da beleza que emana da vizinha livraria. Aqui está mais um bom exemplo em como bons comportamentos geram bons comportamentos! Pois porque nem só do pão vive o homem… E por isso, começo a pensar na responsabilidade que a nossa edilidade camarária tem na hora de passar licenças para a abertura de estabelecimentos comerciais na nossa cidade. Para além das questões sanitárias e de segurança que por vezes nem a própria câmara cumpre, ficam a faltar as exigências de ordem estética… a que se devia dar a mesma atenção, pois porque esse será um factor que irá desempenhar um papel importante na valorização ou desvalorização do lugar onde esse espaço comercial estará inserido.
Pensemos pois em cultivar bons comportamentos e acabaremos por gerar bons exemplos por toda a cidade, que irão gerar bons comportamentos. Um ciclo que se pode tornar vicioso com bons resultados para a cidade, a ilha e o país.

Foto: Baluka Brazão

ONTEM FUI AO TEATRO!

Ontem fui ao teatro! Depois das peripécias para conseguir bilhetes, graças às minhas amizades, lá consegui o tão desejado ingresso para poder assistir à peça escrita por Mário Lúcio (que muito boas surpresas nos tem oferecido) e encenada por João Paulo Brito. Na Verdade, seguindo o raciocínio do César, e pelo que conheço do trabalho do João Paulo, parece inconcebível que alguém com a sua formação, visão e capacidades, não seja minimamente aproveitado pelo nosso Ministério da Cultura para formar gente nesse sector, e tenha que estar a trabalhar em outras áreas.

Depois do stress de ter que andar atrás dos bilhetes que se esgotaram, da espera para entrar no pequeno auditório - que por incrível que pareça é o melhor que existe na capital para este tipo de espectáculo -, da espera para que começasse a representação e, as desculpas da praxe… enfim, o som, as luzes, a cena, a silhueta, os movimentos, o homem, a mulher, o frigorífico! O que passa pela cabeça de um homem e uma mulher no dia do aniversário de 25 anos de vida conjugal?

Dois actores de primeira classe, proporcionam um diálogo filosófico, por vezes risível, que se transforma em monólogos, e falam-nos dos sentimentos que se desenvolvem ao longo de 25 anos de matrimónio e de convivência intima entre um homem e uma mulher… O que começou com um frigorífico, termina com flores… o que mais poderia um homem oferecer à sua companheira no dia em que completam 25 anos de casamento, senão flores?

Palmas para os actores Raquel Monteiro e Valdir Brito pelo fantástico trabalho em palco. E palmas para todos os que se empenharam no propósito de nos proporcionar uma fantástica noite de teatro.

Senhor Ministro, tire parte do seu precioso e cultural tempo, e aproveite para ir ver o trabalho destes artistas que se esforçam para dar à cidade um teatro de qualidade.



segunda-feira, 25 de agosto de 2008

SÓ FACHADA

O Palácio da Cultura Ildo Lobo na Praia é incontestavelmente um dos raros símbolos do que foi o traço arquitectónico do Plateau. Há dias, reparei que duas das portas da fachada desse belo e maltratado edifício, que devia ser um dos símbolos da dinâmica cultural da cidade e da preservação da arquitectura da zona histórica do centro da cidade, tinham sido pintadas de uma cor amarelada, que contrasta claramente com a cor cinzenta das restantes portas e janelas do edifício. Por momentos pensei que finalmente se tinha tomado a decisão de cuidar deste precioso edifício, mas depois, percebi que as portas em questão resumem-se às portas de acesso ao que foi até bem pouco tempo, o Café Caxito. Ficou-me no entanto uma segunda dúvida colocada pelo Tide:

- Será que pintaram o quadro que simbolizava a ilha do Fogo e o seu famoso café porque se pretende abrir ali naquele espaço mais um super mercado?

-Cruz Credu! Fisga Canhota! Jusus, nhu tem pena di nôs! Nhu tranu kêl pedra la di nôs sapatu!

Foto: Baluka Brazão

terça-feira, 19 de agosto de 2008

O OUTRO DISCO

Numa dessas noites em que nos fazem sentir especial, tinha recebido dois convites para concertos de músicos cujo trajecto musical fui acompanhando e apoiando, sempre que me foi possível fazê-lo. É reconfortante ver uma criança nascer, participar na sua educação, vê-la crescer, e depois orgulharmo-nos por sentir que acabou por se tornar numa pessoa que admiramos. Nessa noite já tinha sentido essa sensação quando me ofereceram o primeiro disco e caminhava agora para o encerramento de uma dessas noites únicas nas nossas vidas. Cheguei ao Kappa, e havia um amontoado de gente, quase todos esperando pelo momento especial que seria a noite de lançamento do primeiro disco a solo de HERNANI ALMEIDA. Depois de me juntar a um grupo de amigos que me esperava no bar, cumprimentar mais uns tantos, tratamos de ir subindo para onde seria o palco principal desta noite especial. Os instrumentos estavam lá e a sala já estava composta, cheia, quase a abarrotar. Quem não fora convidado a tempo tratava de conseguir um convite de última hora, ninguém queria perder essa noite. Os músicos entraram, começaram a tirar as primeiras notas e sentiu-se o cheiro da guitarra de Hernani, AFRONAMIM! Sons de afro-jazz, colhidos durante um percurso inconfundível de quem percebe de música. Sons de vento, de mar, de calmaria, sons de Funaná!!! Já em casa enquanto ouvia o disco que me foi oferecido pelo Hernani com dedicatória especial, perecebi que o segundo tema é tocado ao ritmo do funaná e pus-me a dançar para comprová-lo. Certo, no ritmo certo, um funaná no meio de ventos vindos de barlavento do suave barulho do mar a bater na nossas rochas nuas e outra vez o vento, o barulho das rodas que percorrem as nossa estradas feitas de pedra… Um disco para se escutar, cada som cada ritmo, cada feeling que passa em cada nota tirada da guitarra de Hernani. Aqui encontramos o percurso deste músico, desde as suas experiências juvenis, até as passagens pelos discos de Sara Tavares, Tcheka, Bau, Princesito… aqui encontramos Afro-jazz feito em cabo verde, Afro-jazz tocado á moda de Hernani Almeida. Aqui encontramos música de Cabo Verde!

terça-feira, 12 de agosto de 2008

BRICANDO AOS AVIÕES


Li hoje no A SEMANA on line que a Halcyonair cancelou uma série de voos por causa de uma avaria no seu único aparelho. Depois dos discuros eufóricos da inauguração e de toda a propaganda a volta de uma empresa que com apenas um ATR da primeira geração, diz-se concorrente da TACV, a realidade! A verdade é que a Halcyonair só será concorrente da TACV, se os gestores e colaboradores da nossa empresa Nacional ficarem de braços cruzados à espera que se apaguem as luzes. Não seria normal que uma companhia com muito maior capacidade de oferta e, capacidade de resposta a situações anómalas que acontecem inesperadamente neste sector, para não falar da experiência acumulada (ainda que com alguns vícios à mistura) se deixasse ultrapassar por uma empresa que está longe de poder concorrer com a TACV, em qualquer área do negócio da aviação comercial. Esta é apenas uma pequena amostra de como as coisas funcionam, para os que passam a vida a falar mal da TACV, desejando inclusive o seu desaparecimento.

Apesar dos problemas que atravessa, seria muito mau para o país, deixar que a nossa empresa de transportes aéreos, que completa este ano 50 anos de existência, deixasse de ser o elo de ligação entre os cabo-verdianos, e fosse entregue às empresas privadas, sem experiência nem capacidade de resposta às necessidades do país, este importantíssimo sector dos transportes aéreos, num país formado por ilhas e com fortes pretensões turísticas.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

PRESENTASON


Oxi tem show di presentason di SPIGA di princesito, primêru codjeta dês azágua. Palasiu di Assembleia Nacional sta bai ser palku dês espetákulo, ki dja dura ki nu sta spera, a partir di 21 Hora.

Oxi sta bai ser um sexta fera diferenti na sidadi!

Foto: Baluka Brazão

Ta Sumara Tempo

A minha foto
Praia, Ilha de Santiago, Cape Verde

Jasmine Keith Jarret

Jasmine Keith Jarret

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