domingo, 25 de maio de 2008

PARTILHA

TRANZI


TXÁS KRAN


SALVA NHA ALMA


BANHU FUNANÁ


VIAJI

Como tinha prometido, e porque o prometido é devido, tal como uma de frágil peça vidro que facilmente se quebra, assim como a nossa confiança, deixo aqui, para os não tiveram oportunidade de ver a minha exposição no CCF, os quadros então expostos. Aproveito para agradecer a todos quantos reservaram parte do seu precioso tempo para, ver, elogiar ou criticar, o meu trabalho. Não irei cair na tentação de justificar-me perante as críticas, porque qualquer justificação só seria válida, antes de tomar a decisão de partilhar com o publico, as minhas horas de devoção e angustia, perante a sensação de nunca estar suficientemente preparado para expor qualquer trabalho. Espero sim, poder ter proporcionado ao público, algum do muito prazer que senti, ao fazer e expor este grupo de quadros sobre o enorme labor dos Raiz di Polon.

Como as fotografias levam sempre algum tempo para fazer o donwload e são quinze fotografias, proponho dividi-las em três grupos de cinco.

Abraço a todos.

DIA DE AFRICA


Para comemorar o dia de Africa deixo-vos o quadro de Robert colescott: Marching to a Different Drummer. Neste quadro, as figuras e motivos que cercam o americano de origem africana, revela-nos um trabalhador de colarinho branco, que recebeu a sua educação universitária graças às bolsas de estudos oferecidas aos desportistas que demonstram ter alguma habilidade e são integrados nas equipes universitárias, que têm o seu próprio campeonato. Ele é educado segundo os preceitos da América Branca, mas continua preso às suas raízes negras. Colescott apresenta um discurso à volta da percepção branca do preto e a percepção preta do branco e, mostra como o racismo e a inferioridade imposta define a identidade negra.

Nhôs fika drêtu!

Fonte: Museum of Fine Arts, Boston.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

SINAIS!


Enquanto a cidade esperava tranquilamente pelos resultados oficiais das eleições autárquicas, e Filú, depois dos saltos, cambalhotas e corridas, tentava recompor-se do tombo, o mandatário tentava justificar os erros cometidos pelo candidato, com o levantar de suspeitas, sobre quem trabalhou arduamente para que estas eleições fossem, as mais justas e transparentes possíveis. Não foi por causa de qualquer erro cometido pela CNE, na sua ânsia de fazer tudo bem, que Felisberto Vieira perdeu estas eleições. Havia sinais que isso poderia acontecer, mas Filú e a sua trupe, preferiram ignorá-los, como aliás foram fazendo durante o ultimo mandato, a todas as preocupações levantadas pelos praienses. O resultado está aí, e é importante que se tirem lições, em vez de se estar a falar de votos comprados, como se a cidade fosse obrigada continuamente, a submeter-se às fantasias de Filú. Já agora, convém salientar que os votos comprados, não são só os pagos a quem vive miseravelmente dos restos da cidade, por mil escudos. São também os que são pagos com lotes de terreno e licenças de táxi! Sejamos mais lisos, minha gente, e não queiramos manter o poder político a qualquer custo. Para já, podemos dizer que ganhou a cidade, porque agora temos a expectativa que nos próximos quatro anos, algo terá que mudar, para o bem da cidade.

Texto e fotografia: Baluka Brazão

sexta-feira, 16 de maio de 2008

FORA DE CONTRÔLE

A notícia entra-nos peito a dentro e fere-nos de morte. As imagens chocam-nos. Uma criança acaba de nascer e é estrangulada e atirada a um contentor de lixo, como se de um objecto descartável se tratasse. Do outro lado da cidade, uma outra criança de apenas quatro anos é espancada pelo próprio pai até á morte.

Estamos em tempo de campanhas autárquicas e procura-se soluções para uma Praia cada vez maior, mas não obrigatoriamente melhor. A cidade cresce desordenada: junto à orla marítima as mansões, as propostas de apartamentos de alto standing … nas ribeiras, os bairros de habitações clandestinas em chapas de lata, madeira, blocos e betão, e de tudo o que estiver mais á mão. Procura-se um espaço, um teto, algo que ajude a proteger do sol, da geada, da pouca chuva que por vezes cai. Criam-se labirintos por onde grassa a miséria, a falta de dignidade, a imundice… não existe ligação á rede de esgotos nem água canalizada. A luz é roubada á ELECTRA, vendida muitas vezes por alguns funcionários menos sérios, porque esses valores vão-se perdendo, com os vários exemplos que vamos assistindo no dia-a-dia e a falta de resposta das autoridades políticas. Os discursos que deviam ser de esperança, são quase sempre ocos e retratam os males da cidade. A criança foi espancada pelo pai que só foi denunciado quando já era tarde demais.

As pessoas vão aos poucos fechando-se nas suas casas, nos seus casulos, nos seus umbigos. Fazem de conta que não vêm, não ouvem, e por isso não falam do que se passa á sua volta: da criança a quem é tirada a vida, do jovem a quem não é dada a oportunidade de viver, do adulto que sofre para sobreviver, porque todas as regras são rompidas e já ninguém controla nada; nem os próprios nervos, que podem levar um pai a espancar uma filha até á morte… nem o desespero que leva uma mãe a sufocar o seu próprio filho recém-nascido e atirá-lo para um contentor de lixo, ninguém!

Baluka Brazão

sábado, 3 de maio de 2008

MUSIKA!


O concerto começou a abrir… e terminou a abrir! Palmas, palmas e mais palmas. Pelo meio ouve espaços para tomar o fôlego, falar de paz e de um mundo melhor. As palmas acompanhavam a performance do trio que Ricardo de Deus compôs para esta noite mágica. Ricardo começou com uma bossa nova e foi abrindo páginas do seu disco Fragmentos, misturados com temas de grandes compositores, como Tom Jobim e Wayne shorter, esse mágico do saxofone. Foi uma noite mágica de bossa jazz, onde Ricardo dava o mote nos teclados, para kisó no contra baixo e Rosa na bateria e precursão, darem continuidade á dinâmica rítmica que se impunha. Pura magia que fez com que o tempo e o repertório escolhido para a noite tenham passado sem que déssemos pelo tempo. Queremos mais, exigimos mais, porque nos dá prazer e satisfação, ver músicos que vivem entre nós, tocar com tanta mestria. Quem não esteve ontem no CCF, perdeu uma das melhores noites de música ao vivo deste ano.

quarta-feira, 30 de abril de 2008

PRAIA E O NOSSO ORGULHO

Um dia destes, nestes dias de festas na cidade, estou eu tranquilo em casa a descansar, quando me entra pela casa a dentro, a voz do Filú, em comício de apresentação de candidatura para as eleições autárquicas, que se avizinham a passos largos. Não dei muita importância ao discurso de circunstância que me ia entrando pelas portas e janelas, ecoando por vezes mais clara e outras menos, conforme o vento ia soprando com mais ou menos força. Até que de repente, uma voz que depois vim a confirmar ser a de José Maria Neves, afirmou, mais coisa menos palavra: “Filú fez da cidade da Praia uma cidade da qual todos nós nos orgulhamos de viver nela”! Aí, eu que não estava a prestar atenção ao agregado de palavras que se iam soltando conforme as necessidades circunstanciais, assustei-me e pensei cá para mim: como poderá alguém orgulhar-se de viver numa cidade onde existem carências consideráveis em termos de fornecimento de água e energia eléctrica, onde a maior parte da população não tem ligação a um sistema de esgotos, onde a insegurança aumenta de dia para dia, onde a delinquência juvenil tornou-se quase incontrolável, etc, etc, etc… Não será tempo de se mudar o discurso demagogo feito com a única finalidade da se conseguir manter o poder a qualquer custo? Não será já tempo de se começar a pensar em estruturar a nossa cidade de forma que realmente nos possamos orgulhar dela, criando um plano director onde se inclua espaço para os que não têm dinheiro para estar a comprar os tão concorridos terrenos do Palmarejo possam ter terras para construir as suas casas de forma planificada em vez de se irem amontoando em bairros de construção clandestina, que depois servem para albergar toda a espécime de gente marginalizada que muitas vezes se socorre de todo género de criminalidade para ir sobrevivendo numa sociedade cada vez mais de mercado e menos preocupada com as questões sociais?

Eu gosto de viver na Praia por ser a cidade onde cresci e me fiz homem; onde tenho os meus amigos, onde sinto que posso contribuir de alguma forma para a tornar num sítio melhor para as gerações vindouras e muito dificilmente a trocaria por outra cidade. Mas tal como ela está, não tenho motivos para me sentir orgulhoso dela e por vezes chego até a sentir vergonha e sei que esse sentimento não é só meu! A coisa já chegou a tal ponto que não me parece que o próprio representante mor do PAICV acredite na afirmação que fez. E é nestas ocasiões, onde os políticos deviam trazer soluções para os problemas graves que enfrentamos que me sinto envergonhado, porque se limitam a atirar palavras ao vento, tentando convencer o povo de que tudo farão para melhorar a sua condição de vida, quando o que pretendem, é o voto para poderem manter as benesses do poder.

Fotografia e texto: Baluka Brazão

Ta Sumara Tempo

A minha foto
Praia, Ilha de Santiago, Cape Verde

Jasmine Keith Jarret

Jasmine Keith Jarret

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