Enquanto a cidade esperava tranquilamente pelos resultados oficiais das eleições autárquicas, e Filú, depois dos saltos, cambalhotas e corridas, tentava recompor-se do tombo, o mandatário tentava justificar os erros cometidos pelo candidato, com o levantar de suspeitas, sobre quem trabalhou arduamente para que estas eleições fossem, as mais justas e transparentes possíveis. Não foi por causa de qualquer erro cometido pela CNE, na sua ânsia de fazer tudo bem, que Felisberto Vieira perdeu estas eleições. Havia sinais que isso poderia acontecer, mas Filú e a sua trupe, preferiram ignorá-los, como aliás foram fazendo durante o ultimo mandato, a todas as preocupações levantadas pelos praienses. O resultado está aí, e é importante que se tirem lições, em vez de se estar a falar de votos comprados, como se a cidade fosse obrigada continuamente, a submeter-se às fantasias de Filú. Já agora, convém salientar que os votos comprados, não são só os pagos a quem vive miseravelmente dos restos da cidade, por mil escudos. São também os que são pagos com lotes de terreno e licenças de táxi! Sejamos mais lisos, minha gente, e não queiramos manter o poder político a qualquer custo. Para já, podemos dizer que ganhou a cidade, porque agora temos a expectativa que nos próximos quatro anos, algo terá que mudar, para o bem da cidade.
Texto e fotografia: Baluka Brazãosexta-feira, 23 de maio de 2008
sexta-feira, 16 de maio de 2008
FORA DE CONTRÔLE
A notícia entra-nos peito a dentro e fere-nos de morte. As imagens chocam-nos. Uma criança acaba de nascer e é estrangulada e atirada a um contentor de lixo, como se de um objecto descartável se tratasse. Do outro lado da cidade, uma outra criança de apenas quatro anos é espancada pelo próprio pai até á morte.
Estamos em tempo de campanhas autárquicas e procura-se soluções para uma Praia cada vez maior, mas não obrigatoriamente melhor. A cidade cresce desordenada: junto à orla marítima as mansões, as propostas de apartamentos de alto standing … nas ribeiras, os bairros de habitações clandestinas em chapas de lata, madeira, blocos e betão, e de tudo o que estiver mais á mão. Procura-se um espaço, um teto, algo que ajude a proteger do sol, da geada, da pouca chuva que por vezes cai. Criam-se labirintos por onde grassa a miséria, a falta de dignidade, a imundice… não existe ligação á rede de esgotos nem água canalizada. A luz é roubada á ELECTRA, vendida muitas vezes por alguns funcionários menos sérios, porque esses valores vão-se perdendo, com os vários exemplos que vamos assistindo no dia-a-dia e a falta de resposta das autoridades políticas. Os discursos que deviam ser de esperança, são quase sempre ocos e retratam os males da cidade. A criança foi espancada pelo pai que só foi denunciado quando já era tarde demais.
As pessoas vão aos poucos fechando-se nas suas casas, nos seus casulos, nos seus umbigos. Fazem de conta que não vêm, não ouvem, e por isso não falam do que se passa á sua volta: da criança a quem é tirada a vida, do jovem a quem não é dada a oportunidade de viver, do adulto que sofre para sobreviver, porque todas as regras são rompidas e já ninguém controla nada; nem os próprios nervos, que podem levar um pai a espancar uma filha até á morte… nem o desespero que leva uma mãe a sufocar o seu próprio filho recém-nascido e atirá-lo para um contentor de lixo, ninguém!
Baluka Brazão
sábado, 3 de maio de 2008
MUSIKA!

O concerto começou a abrir… e terminou a abrir! Palmas, palmas e mais palmas. Pelo meio ouve espaços para tomar o fôlego, falar de paz e de um mundo melhor. As palmas acompanhavam a performance do trio que Ricardo de Deus compôs para esta noite mágica. Ricardo começou com uma bossa nova e foi abrindo páginas do seu disco Fragmentos, misturados com temas de grandes compositores, como Tom Jobim e Wayne shorter, esse mágico do saxofone. Foi uma noite mágica de bossa jazz, onde Ricardo dava o mote nos teclados, para kisó no contra baixo e Rosa na bateria e precursão, darem continuidade á dinâmica rítmica que se impunha. Pura magia que fez com que o tempo e o repertório escolhido para a noite tenham passado sem que déssemos pelo tempo. Queremos mais, exigimos mais, porque nos dá prazer e satisfação, ver músicos que vivem entre nós, tocar com tanta mestria. Quem não esteve ontem no CCF, perdeu uma das melhores noites de música ao vivo deste ano.
quarta-feira, 30 de abril de 2008
PRAIA E O NOSSO ORGULHO
Um dia destes, nestes dias de festas na cidade, estou eu tranquilo em casa a descansar, quando me entra pela casa a dentro, a voz do Filú, em comício de apresentação de candidatura para as eleições autárquicas, que se avizinham a passos largos. Não dei muita importância ao discurso de circunstância que me ia entrando pelas portas e janelas, ecoando por vezes mais clara e outras menos, conforme o vento ia soprando com mais ou menos força. Até que de repente, uma voz que depois vim a confirmar ser a de José Maria Neves, afirmou, mais coisa menos palavra: “Filú fez da cidade da Praia uma cidade da qual todos nós nos orgulhamos de viver nela”! Aí, eu que não estava a prestar atenção ao agregado de palavras que se iam soltando conforme as necessidades circunstanciais, assustei-me e pensei cá para mim: como poderá alguém orgulhar-se de viver numa cidade onde existem carências consideráveis em termos de fornecimento de água e energia eléctrica, onde a maior parte da população não tem ligação a um sistema de esgotos, onde a insegurança aumenta de dia para dia, onde a delinquência juvenil tornou-se quase incontrolável, etc, etc, etc… Não será tempo de se mudar o discurso demagogo feito com a única finalidade da se conseguir manter o poder a qualquer custo? Não será já tempo de se começar a pensar em estruturar a nossa cidade de forma que realmente nos possamos orgulhar dela, criando um plano director onde se inclua espaço para os que não têm dinheiro para estar a comprar os tão concorridos terrenos do Palmarejo possam ter terras para construir as suas casas de forma planificada em vez de se irem amontoando em bairros de construção clandestina, que depois servem para albergar toda a espécime de gente marginalizada que muitas vezes se socorre de todo género de criminalidade para ir sobrevivendo numa sociedade cada vez mais de mercado e menos preocupada com as questões sociais?
Eu gosto de viver na Praia por ser a cidade onde cresci e me fiz homem; onde tenho os meus amigos, onde sinto que posso contribuir de alguma forma para a tornar num sítio melhor para as gerações vindouras e muito dificilmente a trocaria por outra cidade. Mas tal como ela está, não tenho motivos para me sentir orgulhoso dela e por vezes chego até a sentir vergonha e sei que esse sentimento não é só meu! A coisa já chegou a tal ponto que não me parece que o próprio representante mor do PAICV acredite na afirmação que fez. E é nestas ocasiões, onde os políticos deviam trazer soluções para os problemas graves que enfrentamos que me sinto envergonhado, porque se limitam a atirar palavras ao vento, tentando convencer o povo de que tudo farão para melhorar a sua condição de vida, quando o que pretendem, é o voto para poderem manter as benesses do poder.
Fotografia e texto: Baluka Brazão
quinta-feira, 24 de abril de 2008
RAIZ DI POLON entre a Arte e a Loucura

Ha coisas na vida que sentimos que temos que fazer porque nos engrandecem a Alma. Por isso, quero convidar a todos, a estar presentes na abertura da minha exposiçâo : Raiz di Polon entre a Arte e a Loucura. A exposição terá lugar no Centro Cultural françês na Praia, pelas 18 horas e 30.
Ás 20 horas e dentro do âmbito da exposição que está integrada nas comemorações do dia internacional da Dança ( dia 27 de Abril), poderão ainda assistir a uma performance do grupo RAIZ DI POLON.
Raiz di Polon entre Arte e a loucura
Durante a segunda quinzena de Setembro de 2007, decidi juntar-me ao grupo de dança Raiz di Polon, com a finalidade de entender melhor e registar em imagens, o fantástico trabalho que este grupo vem efectuando, principalmente, a nível social. E, o melhor exemplo dessa entrega é a escola de dança que os bailarinos deste grupo mantêm nas suas instalações no Platô, na rua 5 de Julho. As inscrições são totalmente grátis e não são cobradas qualquer tipo de propinas para assistir às aulas. Basta ter vontade de aprender e alguma disciplina. Mas ali, aprende-se muito mais que a postura física que se impõe no processo de aprendizagem da dança. Mano Preto e os Raiz di Polon, ensinam às crianças e adolescentes que se dirigem ao seu centro de ensaios com a finalidade de aprender a dançar, ou tão só para ocupar os seus tempos livres, a ter uma visão e uma atitude que valoriza o ser humano na vida e perante a Arte, numa sociedade cada vez mais despida de valores nobres. Tudo isso, sem receber qualquer tipo de apoio financeiro, tanto das instituições do estado como do sector privado.
Esta exposição, tem a pretensão de ajudar a trazer a público imagens que falam deste projecto que os Raiz di Polon vêm desenvolvendo. Não como figuras de relevo internacional, porque sobejamente reconhecidos. Mas, através da fotografia, contar a história deste grupo de dançarinos que, são suficientemente loucos para pensar que, em Cabo Verde, a sociedade pode ser educada através da Arte!
Os quadros que agora partilho convosco, foram captados na escola de dança dos Raiz di Polon, bem como em participações de cariz social deste grupo, como as que pude assistir no hospital da Trindade e na celebração de mais um aniversário da Aldeia SOS da Assomada. São o resultado de parte do que pude absorver, do que me foi dado a conhecer de forma partilhada, pelo Mano Preto, pela Bety, pela Gorete, pelo Kaká, pelo Zeka, pelo Rosa, pelo Nuno, pelo Jeff, e por todos que fazem parte desta grande família que é o Raiz di Polon.
Baluka Brazão
sábado, 19 de abril de 2008
ARTE CONTEMPORÂNEA
No momento em que na cidade da Praia nota-se uma agitação anormal em termos de eventos de expressão cultural e artística, devido à celebração dos 150 anos da cidade, retoma-se o discurso sobre a definição da Arte contemporânea que se está a fazer em Cabo Verde.Eu que passei recentemente pelo Museu de Fine Arts de Boston, aproveito para meter uma colherada e deixar um pequeno exemplo do que é considerado arte contemporânea em outras paragens.
A fotografia acima exposta, printada em prata sobre gelatina, é da americana Cindy Sherman, nascida em 1954 e que faz parte da coleção de arte contemporânea do MFA de Boston
terça-feira, 15 de abril de 2008
PLÁGIO DIVULGATIVO
A não perder!

Terça-feira, dia 15 de Abril
"A Educação do Olhar"
Tertúlia com os convidados: Abraão Vicente, Tchalé Figueira e Mário Lúcio. Debate à volta da percepção da arte na vida corrente, tanto por parte do público, como por parte dos criadores.
Quinta-feira, dia 17 de Abril
"O Modernismo
o que foi no mundo e em Cabo Verde"
Tertúlia
Sexta-feira, dia 18 de Abril
"O Pós-Modernismo ou Arte Contemporânea
- contexto Cabo Verde"
Palestra com Abraão Vicente. O que é Arte Contemporânea e como (não) manifesta em Cabo Verde.
Vamos ver, ouvir & comentar!
Horário: às 18:30 (no dia 15, às 19:30)
Local: Fundação Amílcar Cabral
Imagem: montagem de César Schofield, da série Praia.Mov
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