segunda-feira, 7 de setembro de 2009

DISCURSO DO MEDO

Apesar de fazer parte do grupo de pessoas que entendem que Jorge Santos poucas hipóteses teria no confronto pela liderança do MPD, contra Carlos Veiga, penso, no entanto que, a melhor forma de eleger o seu líder, teria sido através das eleições directas na próxima convenção do movimento. Assim deve-se agir em democracia.
Os líderes e militantes do MPD não devem continuar a passar uma imagem de contínua fragilidade do movimento derivada das várias cisões que o assolaram desde a sua formação em 1990, provocadas pela discordância interna, no que tangia às políticas de governação do país, nos anos em que este movimento esteve no poder. Ao contrário do discurso de sacrifico proferido por Jorge Santos, é meu entendimento que o seu discurso foi o discurso do medo. Medo de vir a perder as eleições legislativas devido a possíveis desentendimentos internos provocados por uma disputa pela liderança dentro do movimento.
O MPD só se mostraria uno e coeso, se após as eleições internas formasse um grupo forte para atacar as eleições legislativas de 2011. Procedendo da forma como procedeu, mostrou mais uma vez que, a única alternativa para disputar o poder com o PAICV, passa pela liderança de Carlos Veiga. O que deixa bastante fragilizada a imagem política de todos quantos durante estes anos de oposição estiveram a dar a cara pelo MPD, bem como os quadros que suportavam a liderança de Jorge Santos.
Por outro lado, também para a maioria dos observadores políticos, parece óbvio que o MPD só terá hipóteses de disputar a governação do país em 2011, tendo como líder o Dr. Carlos Veiga. E, para evitar que seja posta em causa essa possibilidade de vitória, os ventoinhas preferem não correr o risco de mais uma rotura que possa fragilizar a sua posição em vésperas de eleições legislativas

SÁBADO XENÓFOBO


O edição da Revista Sábado portuguesa de 27 de Agosto de 2009, trouxe a público um pequeno texto fazendo referência ao combate da GNR á criminalidade nos bairros periféricos de Lisboa onde se concentram uma grande parte de emigrantes vindos das ex-colónias e indivíduos da etnia cigana. A GNR é acusada pelos moradores desses condomínios de ser responsável por muitos dos conflitos que se geram nesses bairros, o que não corresponde de todo à verdade como vem expresso nesse texto. Facto interessante que não me passou despercebido, é a fotografia que vem associada ao mesmo texto e que mostra um elemento da GNR empunhando uma metralhadora apontada a um indivíduo de raça negra que tem vestido uma T-shirt com a bandeira de Cabo verde estampada numa das mangas. Não me parece que tenha sido inocente a colocação de tal fotografia a acompanhar o texto, aliás, isso demonstra o clima de xenofobia que se vem desenvolvendo em Portugal com relação aos cabo-verdianos devido á associação destes aos vários tipos de crime cometidos nesse país, entre os quais, tem importante relevância o tráfego de drogas e os assaltos à mão armada.
O que não se diz é que grande parte desses delinquentes nasceram e cresceram em Portugal sem terem no entanto o direito à nacionalidade portuguesa, o que faz com que lhes sejam negados quase todos os direitos e garantias à nascença.

domingo, 6 de setembro de 2009

DOMINGO... PASSADO!

Domingo, acordo subressaltado com marteladas consecutivas na parede contígua ao meu quarto de dormir. É assim no apartamento onde vivo em Achada Stº. António, no prédio que fica colado aos escritórios da representação da União Europeia. Como trabalham durante a semana, para não incomodar os seus funcionários que certamente estarão a descansar em suas casas ao domingo, aproveitam para fazer obras de remodelação no prédio de escritórios sem se preocuparem com os vizinhos. Mas também, parece que ninguém se preocupa: nem os responsáveis pela representação, nem os vizinhos. Parece até que todos acabam por se habituar a esta falta de civismo. O mínimo desejável para este tipo de situações que se repete várias vezes por ano, seria avisar à vizinhança que em determinado fim-de-semana se iria efectuar obras no edifício. Afinal, existem determinadas regras que se devem respeitar quando se vive em sociedade. Mas, pensando bem, não vale a pena estar a incomodar tanta gente só para os precaver que durante o fim de semana irão despertar com algumas marteladas a ecoar pela casa dentro.
Eu que gosto de sair ao fim- de- semana para tomar umas cervejas com os amigos e deitar conversa fora, por isso, por vezes dou-me muito mal com tal despertar, principalmente, quando por azar, as marteladas são encomendadas para um sábado de manhã. Ou então, quando estou a chegar de uma das minhas muitas viagens de serviço e preciso mesmo de descansar. Se vivesse num país da UE, ou então nos EUA, Chamava a polícia, e de certeza que eles viriam prontamente repôr a ordem. Eles com a sua mania de fazer respeitar os direitos fundamentais de cada filho de parida e a tal estória da constituição!
Uma vez, até saí ao terraço e pedi que parassem. Eles fingiram que levavam em consideração o meu pedido, e passado alguns minutos, lá voltaram as marteladas numa toada mais mansa. Mas como já estamos todos habituados, uns a faltar ao respeito e outros a serem desrespeitados, já ninguém se incomoda. Ainda mais, quando a falta de respeito parte de uma instituição tão nobre como a representação da UE. Para quê estar a arranjar chatices por causa de umas marteladas a ecoar dentro das nossas cabeças quando nós só queremos ficar mais uns minutos na cama? Deus ajuda a quem madruga... lembras-te?
O diabo é que começa sempre por volta das 9 da manhã... passadas algumas horas, volta o silêncio e podemos voltar para a cama, mas já não nos apetece.
De vez em quando, acordo assim, no prédio onde vivo. E é sempre ao Domingo, quando não é ao sábado.

sábado, 5 de setembro de 2009

UNIVERSIDADE: VERDADES E PERCEPÇÕES NA HORA DA ESCOLHA

Segundo o estudo “UNIVERSIDADE: VERDADES E PERCEPÇÕES NA HORA DA ESCOLHA”, encomendado à Universidade de Santiago pelo Jornal A NAÇÃO, a maioria dos estudantes que pretendem fazer uma formação superior no país, optam por fazê-lo, por ordem de preferência, na Universidade Jean Piaget, seguida da Universidade de Cabo Verde, Universidade de Santiago e o Instituto Superior das Ciências Jurídicas e Sociais, valorizando por ordem de preferência na escolha, o prestígio das instituições em primeiro lugar, a existência dos cursos pretendidos, a aceitação do curso no mercado de trabalho, e ainda a influência dos amigos e dos pais. Ficou no entanto por dizer que nessa ordem de preferência, para muitos desses alunos, pesa muito o facto de ser mais fácil obter notas para passar de ano em algumas dessa instituições de ensino superior, do que em outras, onde existe um maior rigor na hora de avaliar o conhecimento assimilado ao longo dos anos lectivos. É de domínio público que existem empresas no país que se recusam a recrutar quadros formados em determinadas Universidades a funcionar em Cabo Verde, assim como se sabe que a Ordem dos Arquitectos não aceita no seu seio arquitectos formados na Universidade Jean Piaget. Outra situação que se verifica, é a dos profissionais estudantes que recorrem ao ensino superior unicamente com o propósito de adquirir um canudo que os ajude na sua progressão profissional. Para que as universidades não sejam encaradas como meros vendedores de diplomas, é necessário que exista maior rigor, tanto na escolha dos docentes que integram o quadro de formadores, como uma maior exigência por parte destes com relação aos formandos que frequentam os cursos ministrados por essas instituições de ensino superior.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Kal Kê Bu Feeling?


Um dos discos que tenho estado a ouvir, é o mais recente disco de Lura, ECLIPSE. Discos de música cabo-verdiana são sempre bons presentes para quem vive na diáspora e nesta minha viagem, este foi um dos discos que ofereci ao meu irmão.
Sobre este novo disco de Lura, devo dizer que gostei da faixa 2 (UM DIA), muito ao jeito de Lura e especialmente, da forma como foi gravado o tema QUEBRÓD NEM DJOSA de Valdemiro ferreira. Muito Funky, excelentes músicos, bom balanço, uma voz forte e bem posicionada. É pena que se teime em querer fazer de Lura uma intérprete de músicas que têm como pano de fundo cenas do mundo rural cabo-verdiano, contrariando essa sua atitude claramente urbana, tendo como primeira preocupação o mercado e só depois a carreira da artista. Se bem que uma coisa acaba por estar interligada à outra, ficando portanto no ar que quem tem o poder de decisão nesta matéria, acredita ser este o melhor rumo a dar à carreira de Lura e ao seu próprio negócio.
Continuando a falar da ideia que se quer passar desse mundo rural, terra, terra, fiquei sem perceber o porquê da introdução de sons de aves de capoeira em TABANKA, da autoria de Orlando Pantera. Aliás, o formato dado a mais este tema de Pantera, vem confirmar o meu discurso crítico, sobre a forma como Lura tem interpretado as músicas deste malogrado autor nos seus discos. Não sei quem teve a ideia, mas não consegui entender qual a ligação que existe entre a tabanka e o grasnar e cacarejar desses bichos!
Será que os brancos curtem essa cena?

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

AOS COMENTADORES ANÓNIMOS

ISTO É QUE FAZEM DE NÓS

Isto!
E perguntam-nos:
- sois homens?
Respondemos:
- animais de capoeira.
Dizem-nos:
- bom dia.
Pensamos:
lá fora...

Isto é que fazem de nós
quando nos inquirem:
- estais vivos?
E em nós
as galinhas respondem:
- dormimos.

Poema de Arménio Vieira

domingo, 9 de agosto de 2009

Discurso Indirecto


Num destes dias, enquanto revisitava os discursos desta nova vaga de músicos cabo-verdianos que têm feito enorme sucesso, principalmente, além fronteiras, lembrei-me das enumeras críticas lançadas contra a Mayra, após a chegada do seu primeiro álbum. A maior parte referia-se ao facto de a música da Mayra ter fortes influências da música brasileira. Sobre essa questão, Mayra terá dito numa das suas muitas entrevistas, que esse seu estilo, tinha tomado essa forma, porque durante a sua formação musical, desde muito nova, a música brasileira esteve sempre muito presente. Sendo filha de pais cabo-verdianos, ainda que nascida em Cuba e viajada por vários países da Europa como de África, é natural que a música brasileira tenha influenciado a música de Mayra, porque a bossa nova, o samba e outros ritmos desse país irmão, são presença assídua, na maior parte dos lares crioulos, para além de ser evidente, a influência deixada, na forma como hoje se toca, por exemplo, a coladeira. Porém, devo acrescentar que para além desses factores, no caso da Mayra, pesa muito o facto de ter no seu grupo de músicos, um excelente percussionista brasileiro chamado José Luís Nascimento.
Nestas coisas de conversas musicadas, lembro-me ainda de um desses encontros com Djô da Silva, na altura em que o Tcheka estava a gravar o seu primeiro disco para este produtor, em que ele dizia que lhe tinha sido feito uma proposta para produzir o CD inaugural da Mayra… na verdade, o que ele dizia, era que lhe queriam impingir a Mayra, mas que ele não estava interessado no estilo dela.
Olhando para o percurso que a Mayra tem feito e o facto de estar a gravar para a SONY, a esta altura, parece-me que Djô da Silva deve estar bem arrependido de ter recusado a dita proposta. Para além disso, é bom que se ponha a pau, porque depois de ouvir a faixa nº 6 do novo álbum de Mayra, fiquei com a impressão que ela começa a querer chamar a si parte dos apaixonados pela voz de Cesária Évora. Um mercado muito apetitoso, diga-se!

Ta Sumara Tempo

A minha foto
Praia, Ilha de Santiago, Cape Verde

Jasmine Keith Jarret

Jasmine Keith Jarret

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