sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

1 DE DEZEMBRO


1 de Dezembro de 08, os passeios do Platô, ou Riba Praia, como faz questão de se referir a esta zona da cidade o meu amigo Guido, foram devolvidas á cidade e a todos quantos por elas circulam por mil e uma razões. Não houve confusão como muitos gostariam, antes pelo contrário, deu-se início ao fim da confusão que era conseguir circular pelas principais ruas do Platô sem tropeçar em algum alguidar, chinelo, sutiã, ou até no cheiro fétido dos restos de vida que iam sendo largados um pouco por toda a parte a cada dia que findava. A Cidade serenava com o cair da noite e voltava a haver espaço para as pessoas circularem nos passeios, mas ficava o cheiro desagradável do caos instalado e pairava a insegurança. As mudanças têm que se processar de forma organizada e respeitando os direitos de todos. Tanto os direitos dos que circulam pela cidade que pretendem fazê-lo de forma agradável e segura como para os procuram o pão de cada dia. Criaram-se alternativas para estes últimos e devolveu-se os passeios à cidade. Porém ainda são visíveis, alguns resquícios do clima de impunidade que gerou a situação que agora se tenta debelar. Os trocadores de dinheiro que alimentam um mercado de vários vícios dissimulados em notas de moeda estrangeira continuam lá. Esperei uns dias para ver qual seriam as reacções a este gesto enorme de boa gestão municipal, mas os intelectuais de serviço estavam todos preocupados com a entrevista despreocupada do Hernani, que não disse nada que não pensasse ser a sua verdade e acima de tudo, a sua opinião e que com certeza, dizem muito do que é a postura deste músico, como músico e como pessoa.
Contudo, neste momento, é importante assinalar este pequeno gesto que pode significar imenso para a cidade que todos nós pretendemos que seja a capital do país. Bem haja.

Texto e Fotografia:Baluka Brazão

terça-feira, 18 de novembro de 2008

RAMEDI TERA

Segundo Aristóteles, o homem como animal social que é, tem como objectivo primordial na vida, o alcance da Felicidade, a que eu gosto de chamar de Equilíbrio. Por viver quase que impreterivelmente em sociedade e ter que se subjugar à maioria das suas regras para atingir a Felicidade, por vezes, não entendendo bem essa regras, ou valorizando em excesso algumas em detrimento de outras, acaba por se deparar com situações em que mesmo estando socialmente bem integrado, por ter interpretado erradamente determinados comportamentos sociais, acaba por não conseguir estar feliz devido a problemas de saúde causadas por comportamentos menos correctos.
O povo cabo-verdiano é um povo reconhecidamente simpático e que gosta de conviver. Exemplo disso é a fama da morabeza crioula! Mas na maior parte dos casos, o convívio em Cabo Verde é acompanhado do consumo de bebidas alcoólicas, havendo mesmo casos de pessoas que quando por força maior são obrigados a absterem-se de beber esse tipo de bebidas, vêm-se praticamente abandonados pelos amigos de sempre. O acto de beber em sociedade, em sã convivência, não é em si um acto nefasto para a saúde pública se for feito com moderação, porque pode ajudar a aliviar o stress e a deixar as pessoas mais extrovertidas no convívio com as outras. No entanto, há o outro lado da moeda, muito usual na nossa sociedade, e que acaba por trazer danos físicos, psicológicos, e por vezes até psiquiátricos. Para completar esse quadro de comportamentos nefastos, existe ainda a tradição de acompanhar essas bebidas alcoólicas com um bom torresmo, carne de porco assada, moreia frita, etc.
Ora o Cabo-verdiano é também conhecido pela sua crença na “RAMEDI TERA”, que na verdade, não passa de uma forma fácil da pretensão de alcançar o bem-estar físico, e consequentemente, o bem-estar psicológico. Porque, é essencial que esteja bem tanto fisicamente como psicologicamente para poder perseguir o seu principal objectivo na vida, a Felicidade. Por isso, recorre a todo o tipo de elixir, com o propósito de alcançar o seu objectivo, já que por vezes, nem os próprios médicos têm soluções para determinados casos. Aí entra em acção a mais nova fórmula de “RAMEDI TERA”: As igrejas evangélicas importadas do Brasil. Vendem doses de felicidade para todo o tipo de situação, que vai desde problemas com o consumo de drogas, até problemas de deficiência física que nem a medicina consegue resolver.
Na Bíblia, esse livro sagrado, está escrito que:” Quem tiver fé do tamanho de um grão de mostarda poderá mover montanhas”… mas essa fé, não pode resultar da troca do pagamento de uma mensalidade a uma qualquer igreja, muito menos da compra de qualquer objecto ungido com azeites de Jerusalém, ou banha de cobra importada… existe na Bíblia também uma passagem em que Jesus expulsa do Templo os vendedores de animais para sacrifícios…
A propaganda do acesso á felicidade através compra de determinados objectos vendidos em certas igrejas, tem sido uma mensagem constantemente difundida na rádio e na televisão, muitas vezes propalada por psicólogos travestidos em pastores evangélicos que visam unicamente o enriquecimento ilícito dessas instituições ditas religiosas e das pessoas que estão á frente delas. E é claro que, o nível de aderência a essas religiões, não pode ser lida como o reflexo dos resultados positivos que esse tipo de instituição religiosa tem devolvido á sociedade, em troca dos bens materiais que recebe desta, mas sim, na ignorância científica que alimenta grande parte desta colectividade, e ainda, no desacreditar das populações nas instituições do Estado que cuidam do bem-estar económico e social.

texto publicado no jornal cv connections

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

ÉTICA




Chegou-me via e-mail, esta fotografia do que se diz ser a nova aquisição do Kutis com o dinheiro da autarquia, é claro! Sem querer entrar numa de criticar por criticar, quando se pode utilizar como crítica ao novo edil praiense outros argumentos, também não percebi a mensagem do kutis a esse respeito porque, a compra desta máquina, pode até ser legal e sem truques de comissões pelo meio. Mas, perante a crise económica que neste momento se atravessa, e as dificuldades financeiras que ele mesmo faz questão de trazer a público e que entendemos ser real pelo que assistimos na anterior gestão, a compra deste topo de gama, seja ele por quatro mil e quinentos contos ou dez mil contos, é de todo IMORAL.

LITRATU


Fotografia:Baluka Brazão

Para quem gosta de fotografia, a partir de agora poderá ver alguns dos retratos que tenho feito no novo Blog que criei para esse fim.Espero que quem venha a utilizar essas fotografias respeite os direitos do autor.Ou seja que pelo menos faça referência ao autor.
O endereço é:www.litratu-tera.blogspot.com
Abraço a todos.
Baluka Brazão

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

UM FUS KI TXÊRA


Foto:Baluka Brazão


Afinal, quando querem, as nossas Polícias funcionam como deve ser! E aqui deve-se elogiar sobretudo a Polícia Judiciária que tem apresentado alguns resultados no combate ao tráfico de drogas no país.
Mas é de se saudar a intervenção feita por esta policia em colaboração com a PN junto dos cambistas do Platô que passeiam impunemente pelas principais ruas do centro da cidade, importunando a todos quantos passam por essas vias. Descobriram-se agora ligações entre estes “balcões de câmbio ambulante” e o tráfico de drogas, e poder-se-á falar também de outras formas ilícitas de fazer negócio e de prosperar, tornando-se depois grandes empresários nacionais, como o José, do último texto do César Cardoso, trazido à estampa pelo Jornal CV CONNECTIONS. Para além de divisas e droga, é muito provável que também se vendam armas e munições nesse mesmo local, e ainda, tabaco contrabandeado.
A mensagem da impunidade perante estes crimes, associado ao fácil enriquecimento dos que o praticam, fez aumentar ao longo destes anos, a quantidade de Trocadores de dinheiro que se concentram nas imediações do mercado do Platô, fazendo os seus negócios, na barba cara dos agentes da autoridade que por aí passam.
Mais uma vez, o incumprimento da lei vem beneficiando o infractor e prejudicando a sociedade. Tardam as medidas para corrigir esta situação...
Será este o tipo de futuros empresários e valores que se pretende para o país?

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

GERADORES...


Fotografia: Baluka Brazão


Após a leitura da extensa entrevista conjunta do nosso Prime e do Ex-Prime, ficou-me a sensação de que tudo o que se passa por cá e que tem dificultado a vida do nativo destas ilhas, está devidamente identificado e que está-se a dar os paços certos no sentido de rectificar as decisões políticas menos acertadas que nos puseram nesta situação. Afinal Cabo Verde continua a ser um país seguro e atractivo para o negócio, apesar das várias notícias que têm sido trazidas a público sobre essas questões de importância vital para o desenvolvimento económico di nôs Tera.
Sem dúvidas que é bom termos um Prime que gosta de poesia e que por isso sonha e tem capacidade de ver um pouco mais além do que o comum dos políticos. E, na verdade, o que mais se tem feito nos últimos tempos em cabo verde, são obras de infra-estruturação. Essa política virada para a criação de condições físicas para que o país possa ter melhores oportunidades de crescimento económico, fez com que por algum tempo, algumas questões de ordem social, tenham sido relegadas para segundo plano. Questões como a segurança, as condições para que os jovens pudessem ter oportunidades de formação e de acesso ao emprego, e ainda reformas que produzissem uma justiça mais célere só agora estão a ser alvo de um tratamento mais consentâneo.
Quem tiver paciência para ler todo o texto da entrevista, ficará com uma ideia de que apesar dos problemas com maior ou menor relevância para o futuro do país, os nossos políticos serão capazes de apresentar soluções para resolvê-los da melhor forma, apesar das discussões a que assistimos de tempos em tempos na Assembleia Nacional!
O discurso digere-se muito bem mas para quem ouve de fontes credíveis que para resolver os problemas da Electra a curto prazo serão necessários investir entre 250 a 500 milhões de euros… e é bom que se entenda que neste momento essa empresa está a racionalizar a distribuição de energia porque não tem dinheiro para pagar aos fornecedores de combustível, que tem uma rede de fornecimento obsoleta, e que não consegue cobrar as suas dívidas, e que não consegue controlar o roubo de energia, etc, etc, etc…
O melhor mesmo é pensar em investir na venda de geradores de energia eléctrica, pois por mais um bom período de tempo será concerteza um bom negócio. Infelizmente lá teremos que continuar a sofrer com a poluição sonora e ambiental e com as taxas que vão aparecendo como “bardolega na tempo txuba”.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

EXPECTATIVAS



Durante o mês que agora termina viveu-se mais um aumento substancial nos preços dos combustíveis no país. A sociedade civil, como já se vem tornando hábito, ficou em “parva e serena”. Não mugiu nem tugiu.
Este quadro social, dejá vu, que vem se repetindo, perante medidas que afectam claramente o poder de compra dos cabo-verdianos, pode levar a pensar que a situação económica que cabo verde atravessa é boa. Tão boa que apesar de se terem verificado três aumentos significativos nos preços dos combustíveis num período de cerca de seis meses, no mesmo ano, as reclamações que se ouviram, foram quase que insignificantes, face ao impacto que essas subidas de preços têm na vida deste povo. Os únicos de quem se ouviu reclamações mais acaloradas, foi dos representantes de algumas empresas de transporte rodoviário e marítimo que se dizem lesados nos magros lucros que obtêm, devido ao aumento das despesas, com a compra de combustíveis.
Sobre o silêncio da sociedade civil… se eu fosse um dos políticos responsáveis pela governação do país ficava preocupado. Porque, é no mínimo estranho que, estando claramente a perder o poder de compra, muito pouca gente manifeste qualquer tipo de desagrado perante esta situação. Por isso, há que pensar que, das duas uma: ou há um consenso que apesar das dificuldades económico que o mundo e o país atravessam os cabo-verdianos estão dispostos a sacrificar-se ainda mais para que o actual governo possa continuar a apresentar números positivos perante as organizações internacionais que nos vêm concedendo empréstimos para o desenvolvimento de Cabo Verde, ou então, estão todos á espera do melhor momento para dar resposta a estes aumentos mal explicados. Vêm aí as eleições legislativas, e parece ser um grave erro ignorar o aviso vindo das autárquicas. Pois, porque apesar destas medidas serem impostas pela ARE, que diz-se ser uma Agência de Regulação Económica independente, a verdade é que, estas medidas descompassadas, ajuda a aumentar as receitas dos importadores e distribuidores de combustíveis, e, o ao governo, ajuda a arrecadar mais impostos.
É claro que todo este processo de aumento de preços dos combustíveis leva a reflectir sobre a oportunidade da medida, principalmente, este último aumento que acontece quando se verificou uma queda dos preços do barril de petróleo a nível internacional, de cento e quarenta dólares para cerca de noventa e tal dólares por barril de petróleo. Como será quando voltar a aumentar?
Perante este cenário fica no ar a pergunta: será que esta foi a forma que se encontrou para compensar o imposto de manutenção rodoviária que o MPD chumbou no parlamento?
Se essa for a leitura do eleitorado, e não havendo correcções por parte do governo no sentido de garantir aos eleitores que nada tem a ver com estes sucessivos aumentos de combustíveis - com principal incidência sobre este último -, estará a entregar os votos de muitos cabo-verdianos que simpatizam com o PAICV, ao MPD, porque estes poderão entender que, esta é a única forma de refrear esta continua perda de poder de compra e consecutiva perda de qualidade de vida. Note-se que, desde que o partido que está no governo reassumiu a governação do país, que vem tomando medidas no sentido de se ir equilibrando os cofres do estado - que dizem ter encontrado praticamente vazios. E apesar da maior parte dessas medidas terem sido tomadas de forma acertada, e com o consentimento da maioria dos cabo-verdianos - que reafirmaram a sua confiança neste partido, conferindo-o um segundo mandato de governação -, a sensação que se tem, é que na prática, muito poucos usufruem das melhorias conseguidas com o sacrifício de todos. E isso poderá acontecer mesmo dentro da classe média, que cada vez mais, vai tendo dificuldades para lidar com o orçamento mensal. Há o crédito da casa para pagar, a conta do carro, o combustível, a oficina, o telefone, as mesadas do filho que está a estudar no Brasil, os canais de televisão a cabo para ver as novelas brasileiras, as férias em Fortaleza… entre outras coisas que todo o cabo-verdiano dos dias de hoje ambiciona minimamente.
De resto a realidade diz-nos que vivemos num país onde as políticas de estado estão cada vez mais viradas para o negócio. A tal ponto que nem mesmo os lugares julgados sagrados, como é o caso da Biblioteca Nacional, são poupados dessa lógica de arrecadação de receitas. A partir de agora, os praienses estarão mais próximos das instalações desse edifício… não porque se tornou esse espaço de busca de conhecimento num lugar mais atractivo, porque passou a ter um espaço de novas tecnologias para o acesso á informação, mas porque se instalou nesse edifício nobre, um balcão de cobranças da CV TELECOM!

Ta Sumara Tempo

A minha foto
Praia, Ilha de Santiago, Cape Verde

Jasmine Keith Jarret

Jasmine Keith Jarret

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