sábado, 19 de julho de 2008

SPIGA

Nhôs bai tudu so faxi, cumpra novo CD di Princesito! Tem um SPIGA pa kada kenha ki krê alimenta si alma ku simenti di palavra, ki ta fala di vida, di homi, dês mundo undi ki ta usadu poesia, pa fala di dor ku ligria.

Há daqueles dias em que nos insuflam o ego de tal forma que nos sentimos privilegiados! Há daquelas noites que os sons que ouvimos vão de encontro ao nosso pensar. Não só os sons da música mas, essencialmente, o som das palavras. Mas hoje eu vou falar apenas da música do primeiro disco que me foi oferecido nessa noite e deixar para depois, o segundo disco, porque cada um, por si só, enche-nos a alma.

SPIGA foi-me oferecido por Princezito e, foi como quando estamos famintos e um amigo nos oferece um prato de comida! O gesto desse nosso amigo conforta-nos; Mas quando tiramos a primeira garfada e começamos a apreciar o alimento que nos foi oferecido, então percebemos a verdadeira grandeza desse gesto.

SPIGA simboliza a nossa cultura alimentar e todos os processos que acompanham a confecção dos pratos á base do milho, que não pode faltar, nos momentos de festa. Este disco do Princezito simboliza um longo processo de pesquisa musical e rítmica do batuko e do finason que é-nos aqui apresentado num formato de expressão contemporânea. A mistura dos ritmos do Batuku e do finason, com o pop e os sons afro-cubanos, é perfeita; tão perfeita como a mistura do milho com os vários tipos de feijão, e os legumes que compõem um prato de cachupa. É como acordar pela manhã com o ritmo do pilon que prepara a farinha para o cuzcuz.

Nhôs bai tudo só faxi… obi novo CD di Princezito!


Foto: Baluka Brazão

quinta-feira, 17 de julho de 2008

O LIXO DA CIDADE



Logo pela manhã, cedo, mal o sol desperta, a cidade enche-se de cores, cheiros e sabores. Cheiro das gentes, no seu frenesim, na eterna busca do pão-nosso para cada dia. A cidade torna-se num grande mercado municipal onde os limites são as ruas e as gentes que enchem os passeios de alguidares coloridos de onde transbordam frutas, legumes, rebuçados, cuecas de todas as cores… “freguês, freguês, bem nu nagosia”. O sol vai-se levantando até pôr-se a pique, soltando as suas labaredas sobre a cidade. Os odores das gentes tornam-se intensos e misturam-se com o cheiro fétido das águas jogadas pela calçada, restos de gente, soltos ao fim de cada dia de labuta que se repete todos os dias. “Mangui é cinquenta escudo cada; doxi, ê madura na mãe”… “Nhu ka krê limon”?

Um pouco mais acima o negócio é outro, puro contrabando… de tabaco clandestino vindo do Senegal ou de outras paragens do continente. A moeda, essa vem da Europa e alguma dos EUA; é a Banca informal, mesmo em frente do nariz de toda gente, até mesmo da polícia que não está ali para se aborrecer com essas coisas… change, change, bu ka kre troka dinhêru?

O que começou com a ocupação dos passeios limítrofes do mercado do Platô, estendeu-se por quase toda a rua 5 de Julho e ameaça tomar de assalto também a avenida Amílcar Cabral, sem que ninguém tome medidas de fundo, para se pôr termo a esta expansão desenfreada do mercado, pelas ruas do Platô.

Vivemos num mundo onde cada vez se vão abrindo melhores oportunidades para quem tem uma melhor situação económica e financeira, tornando mais negra a vida dos que precisam apenas de uma pequena oportunidade para irem sobrevivendo. As ruas da cidade provam isso mesmo, e politicamente, seria incorrecto, neste momento de crise, impor as regras municipais, sem antes se criar uma alternativa a essas gentes que ganham o pão de cada dia de forma mais ou menos engenhosa. Mas é preciso também respeitar os que fizeram os seus investimentos e pagam impostos, cumprindo as regras estabelecidas por esta sociedade. A falta de capacidade dos representantes municipais e do governo para resolver os problemas que afectam a nossa sociedade não pode ser eternamente, justificativo para o desrespeito das leis.

Nas civilizações mais avançadas do que a nossa, as sociedades são geridas através das normas criadas por essas mesmas sociedades, fazendo com que haja um equilíbrio baseado no respeito pelo próximo. Quem não cumpre as regras, sofre penas adequadas ao peso da prevaricação cometida, até que acabe por entender e respeitar essas regras, ou auto-marginalizar-se. Aqui tem prevalecido a lei do mais forte. Ninguém respeita ninguém e como ninguém controla ninguém, a falta de moral impera sobre a moral e os bons costumes!

É preciso arrumar a cidade e não ter como preocupação única a limpeza do espaço físico. É preciso varrer o lixo que está dentro das pessoas que habitam a cidade e não se incomodam em conviver com gente a fazer as suas necessidades fisiológicas em plena via pública, sem o mínimo de pudor e respeito pelos outros. E isso, passa por se fazer cumprir as leis, doa a quem doer!

Foto: Baluka Brazão

domingo, 6 de julho de 2008

DESCASO


A cidade recebeu as primeiras chuvas e as aguas que caíram dos céus, puseram a nu os problemas da deficiente infra-estruturação, a nível do que se tem feito em termos de obras municipais. As ruas e avenidas encheram-se de água como se de ribeiras se tratassem. O pormenor que se chama condutas de escoamento de águas pluviais, ficou a faltar ao longo de toda a obra de pavimentação do Platô e de grande parte da cidade, fazendo com que caídas as primeiras chuvas, se comece a entender que o efeito de erosão será muito maior, fazendo que a manutenção também seja mais cara. Mas o maior problema é a ameaça à saúde pública, devido à estagnação dessas mesmas águas, que ajudam a desenvolver e disseminar doenças como o paludismo. Esta falta de rigor dos políticos na execução de obras públicas pagas com o erário público, acaba por gerar gastos adicionais, fazendo com que se esteja a gastar o dinheiro que se podia estar a aplicar em novos investimentos, na correcção de erros cometidos na execução dessas mesmas obras. Mas o mais grave é o dinheiro que se gasta para se cuidar de maleitas provocadas por esse descaso que por vezes é pago com a própria vida do cidadão.

Baluka Brazão

domingo, 8 de junho de 2008

TEMPOS de CRISE

Em tempos de crise, como a que o mundo atravessa, em que a própria ONU começa a ficar preocupada com a situação do aumento acentuado dos preços dos alimentos - numa fase em que a cotação do petróleo contínua em alta -, e alguns governos começam a propor acções para ajudar a amenizar este cenário de escassez de alimentos, é obvio que, torna-se completamente inoportuno, a aplicação de uma taxa sobre a compra de combustíveis, como forma de garantir, a manutenção das estradas, que vêm sendo construídas. E, se levarmos em consideração, um estudo feito em Portugal, que foi publicado na revista Visão, sobre a poluição do meio ambiente provocada pelos automóveis - que nos diz que os veículos 4x4, poluem quase duas vezes mais que um automóvel normal -, é caso para concluirmos que, em Cabo Verde, o Estado, e a sua frota de luxo, contribuem grandemente para o consumo exagerado de combustíveis e para a conspurcação do nosso meio ambiente. E o pior, é que quem sustenta tudo isso, somos nós! Todos nós somos responsabilizados pelas tomadas de decisões dos senhores governantes que, cada vez mais se vão esquecendo de perguntar, quais as obras prioritárias para o cidadão e quais iriam resultar em alguma melhoria, nas condições de vida das populações. Parece que, a principal preocupação de quem se apodera de um lugar de responsabilidade política no governo, é, requisitar um bom modelo 4x4, que possa dar alguma sustentabilidade social, ao seu novo status.

Ora, se para quem governa o país, ter uma boa máquina sustentada com erário público, é fundamental, é lógico que, construir boas estradas, se torna primordial! É claro que sempre se pode usar o tal argumento que, essas estradas vão ajudar a desencalhar as povoações mais remotas e travar o êxodo rural. Mas a justificação apresentada para a aplicação de uma taxa desta natureza, num momento particularmente difícil para todos, não lembra o Diabo. É que sempre foi necessário fazer-se a manutenção das estradas que já existiam, e essa necessidade não aparece com o alcatroamento dessas vias que se diz, de desenvolvimento. O problema não está na criação desta nova taxa, mas sim, na oportunidade e na forma como foi criada. Tanto é que, a título de exemplo, torna-se completamente descabido, obrigar os pescadores que utilizam a gasolina para alimentar os motores de popa dos sues botes, a pagar mais 7 escudos, por cada litro de gasolina que compram, porque se tem que garantir a manutenção das novas estradas construídas pelo governo.

Como a maior parte da população que irá sofrer directamente com mais esta taxa é urbana, acredito que seria mais justo e mais proveitoso, criar uma taxa de ligação ao sistema de esgotos e de acesso á agua canalizada, e avançar com projectos para esse efeito. Mas os políticos continuam a preferir o “penso logo existo” de Descartes, em vez do “sinto logo existo” de António Damásio.

Texto e foto: Baluka Brazão

terça-feira, 3 de junho de 2008

PRAIA STA KENTI!

Praia, Praia é kenti… Somada, Somada é fresco… Praia… durante este ano, temos vivido uma inesperada actividade artística e cultural na cidade, chegando mesmo a haver dias, em que esse dinamismo é tão intenso que, uma pessoa não consegue acompanhar todas as propostas. Sexta-feira, por volta das 19:00 horas, a praia viveu mais uma noite de arte e magia. A Fundação Amílcar Cabral estava cheia de gente, e a noite que foi tomando forma a partir do desafio que César Schoffield Cardoso lançou a um grupo de artistas residentes na capital, acabou por ser coroada com a participação especial de três artistas, que estão cá a fazer uma residência artística: António Rocha (Badiu di Somada), escritor e pintor; Magaly Ponce (Chilena), professora de Arte na Universidade de Bridgewater nos EUA; e Gisele Creus (Epanhola), dançarina e coreografa. A verdade é que, todos os participantes conseguiram ultrapassar a expectativa que se tinha para esta mostra colectiva. Aliás, começamos por nos surpreender uns aos outros, à medida que íamos arrumando as salas, na véspera do dia da exposição. Depois, foi a confirmação do que já tínhamos sentido! Praia, sta propi kenti!

César Schoffield que com esta exposição tem a sua primeira experiência como curador, bem pode orgulhar-se desta sua iniciativa.


terça-feira, 27 de maio de 2008

Ta Sumara Tempo

A minha foto
Praia, Ilha de Santiago, Cape Verde

Jasmine Keith Jarret

Jasmine Keith Jarret

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