segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Matisse por Matisse

la musique

Na primeira edição deste ano, da revista brasileira Bravo!, o editor Marcelo Rezende, escreveu um texto de apresentação do livro Escritos e reflexões sobre Arte (ed. Cosac Naify) do pintor Henri Matisse, onde abre uma discussão entre os dois génios do séc. XX: Matisse e Picasso.

Para Picasso, “todo o acto de criação é antes de tudo um acto de destruição”. Enquanto que Matisse, define a Arte como “uma calma influência na mente, algo como uma cadeira de balanço que relaxa do cansaço físico”.

Relacionando várias reflexões de Matisse com ideias e procedimentos da Arte contemporânea – tão falada ultimamente no nosso meio artístico -, Marcelo Rezende, deixa-nos a seguinte questão:

Quem influenciou mais a Arte do séc. XXI, Matisse ou Picasso?

sábado, 19 de janeiro de 2008

Sal, centro de turismo barato!

foto: Malvin Hort

Passo pelo Sal como muitas outras vezes. Desta vez, fico em Santa Maria, antiga vila piscatória que se tornou conhecida pelas suas qualidades turísticas: Sol, praias de areia branca, vento, ondas, gente bonita e afável, como aliás acontece um pouco por todo o Cabo Verde. Em Santa Maria, os tempos mudaram: há gente de todas as cores e origens, incrementando ainda mais a nossa mistura crioula. Tudo se negoceia, até o corpo. Há todo o tipo de artesanato importado e produzido pelos nossos irmãos do continente, a maior parte, vulgar, reproduzida, dezena, centena, milhar de vezes, a preços negociados ou fixos, conforme o lugar onde se compra. O bom gosto pouco importa aqui! O importante é oferecer algo que os turistas do all-included possam levar como recordação. Também se encontram alguns produtos de confecção nacional, que na generalidade, seguem a mesma linha. Há excepções é claro, mas essas não fazem a regra. O corpo também se vende e por vezes, até a alma… por algumas horas, ou alguns dias de conforto e prazer. As noites perderam a poesia de outros tempos, tudo parece muito calculado e impessoal!

Os espaços livres vão sendo ocupados por mais hotéis, de uma forma generalizada, do sistema all-included, que trarão mais e mais turistas do dito turismo barato, de gosto pouco refinado, à procura de arte e prazeres baratos! Em troca, deixar-nos-ão as suas influências e os seus vícios nefastos, as suas doenças; já que as divisas, ficarão na origem, onde lhes são vendidas férias de sonho, para quem tem pouca escolha!

O paradoxo desta questão, é que tudo no Sal é caro, face à qualidade do que se oferece!

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

SEM COMENTÁRIO!

Um Post Retardado!

Agora que passaram de novo aqueles dias de angustia em que só se ouvia falar da onda de “kasubody” que voltou a aumentar na capital e preparamo-nos para encarar o novo ano com outras expectativas, não será nunca demais repensar a nossa atitude perante a crise de segurança, cada vez mais presente entre nós. Nada mais normal nesta época, dirão alguns, porque todos nós, temos direito a peru, bacalhau, árvore de natal e presentes. Por isso, cada um á sua maneira, tratou de se preparar para a celebração da festa da família que todos os anos se celebra pela data de nascimento de Jesus Cristo. O pior é que a onda de solidariedade que se gera nas almas das gentes por estas alturas já tomou tal proporção que o próprio subchefe da polícia da esquadra do Palmarejo, após ter sido vítima de um competente “kasubody” com direito a coronhadas e outras coisitas mais, disse que teria sido vítima de um “kasubody” normal, como todos os outros.

Pois é, esta nova vaga de “kasubody”, do jeito que vem sido encarada, está a entrar na normalidade da vida dos praienses, a ponto de todos nós, inclusive os responsáveis pela manutenção da ordem pública e pela justiça que vivem nesta cidade, encararem este fenómeno de violência urbana, como algo normal. A coisa já chegou a tal ponto que um grupo de cidadãos indignados com o número de casos relatados nesses dias que antecedem o Natal, resolveram organizar uma manifestação para ver se faziam a população desta cidade acordar para a realidade do que se passa por aqui. Mas como estava toda gente preocupada com as compras de Natal, só apareceram cerca de trinta cidadãos para a referida manifestação.

O que muita gente ainda não conseguiu perceber, é que apesar de todos os eufemismos que se tem usado para explicar esta situação com que temos vindo a conviver, nunca nos sentiremos realmente livres para viver as nossas vidas dentro dos parâmetros normais de liberdade, se não nos sentirmos seguros no espaço onde vivemos. E que não se iludam os que pensam que o poder económico os poderá ajudar a comprar essa liberdade. Viver em condomínios fechados e rodeados de seguranças é um dos principais sintomas dos que vivem preocupados com a sua segurança pessoal. O problema é que esses que podem dar-se ao luxo de viver assim, vivendo a liberdade à sua maneira, são muito menos dos que nos vêm fustigando, nos becos, esquinas, ruas, avenidas, e à porta dos super mercados e das nossas casas. É bom por isso que para além da presença da polícia nas ruas que agora se verifica, comecemos a pensar na forma de reequilibrar este clima de instabilidade social que se vem afirmando entre nós. Porque senão, um destes dias ainda acordamos e damo-nos conta que eles, os menos favorecidos, tornaram-se tantos que ocuparam todos os espaços que fomos deixando livres, porque aos poucos fomo-nos refugiando nos nossos casulos, uns mais dourados do que outros.

O que é normal na verdade, não é sujeitarmo-nos aos “kasubody”! e a todo o tipo de agressões que a cidade nos vem proporcionando no nosso dia-a-dia. O que é normal, é que esta busca pelo equilíbrio social seja programada pelos nossos políticos. Situação e oposição. E por nós cidadãos que devíamos exigir com veemência e intransigência que essas medidas sejam tomadas, porque é para isso que os elegemos e pagamos os impostos que nos saem na pele.

Se prestarmos um bocadinho mais de atenção, notaremos que esta situação é recorrente e que está a tornar-se cíclica, agravando-se a cada nova etapa. Só se começa a tomar medidas para controlar a situação quando começa a tornar-se num clima insuportável e começam a aparecer algumas reivindicações, voltando tudo ao normal quando a situação parece estar controlada. Mas em resposta a esse relaxamento vem uma nova onda de maior violência.

Colocar polícias na rua é importante para devolver-nos os espaços que nos vem sido roubados. Mas não é o suficiente para dar-nos a tranquilidade que almejamos.

O desenvolvimento económico que se procura atingir em Cabo Verde tem que reflectir na melhoria da situação económica e social das populações destas ilhas. Principalmente na vida dos menos afortunados. Não se pode viver em constante sacrifício, porque o país precisa de ser economicamente sustentável e ver o fosso que existe entre alguns ricos e os muitos pobres que existem neste país, ir-se alargando, sem que se faça algo para evitar o pesadelo da instabilidade social. Há que fazer uma gestão de forma que a melhoria de condições de vida possa ser para todos, dentro das proporções que cada um possa absorver, em termos de oportunidades de investimento pessoal. Não poderá ser só, alguns a aproveitar do desenvolvimento económico que o país atravessa e os outros a suportar sem condições mínimas de dignidade humana esse desenvolvimento. Há que trabalhar mentalidades, mostrando que as politicas de desenvolvimento do país, privilegiam quem trabalha e procura de forma séria uma condição de vida melhor. Porque senão, continuará a alastrar-se essa ideia que todos os meios são bons para gerar riqueza, porque depois, terão o caminho aberto para ir acumulando cada vez mais riqueza, à custa da vida miserável dos outros.

Como agora irá começar um novo ano e pretende-se sempre uma vida nova, espero que todos nós sejamos um pouco mais realistas com a situação em que vivemos e façamos algo para mudar para melhor.

Baluka Brazão

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Um post ao Quarto Poder

Terminei o ano a ler MITOgrafias, o livro de poemas de Arménio Vieira que me foi oferecido por um grande amigo preocupado com essas coisas, e que fala de poemas feitos com pauzinhos de fósforos, porque a construção de um homem deve fazer-se na vertical!

Neste momento que se preparam as eleições autárquicas e que os políticos se agarram a todos os meios para fazer calar as vozes indesejáveis, pensando que matando-as estarão resolvidos todos os seus problemas, tratando o povo por asno, burro ou jerico, acredito que não se deram ao trabalho de ler Arménio vieira. Porque senão, teriam outro tipo de atitude para com os que lhes tentam chamar atenção para a sua conduta errante. É que o problema não está no que se diz, mas no que se vê e no que se sente!

Por isso, deixo aqui um dos poemas de Arménio Vieira, que me ficou na cabeça:

Analogias

O profeta Isaías deixou sinais

de que Jesus Cristo era o Messias.

Um oráculo, em Delfos, indicou

Sócrates como o mais sábio

dos homens. Nenhum deles escreveu.

Para quê? Tanto Platão como Paulo

são apologistas insuperáveis.

Os dois morreram de morte cruel:

Sócrates bebeu da taça, Jesus

Foi trespassado por uma lança.

Ambos sabiam que a morte

não é o fim, o espírito supera

a carne. Cristo morreu

e ressuscitou. A morte

de Sócrates foi um mal entendido.

Quem sonha é porque está vivo.

Arménio Vieira

Ta Sumara Tempo

A minha foto
Praia, Ilha de Santiago, Cape Verde

Jasmine Keith Jarret

Jasmine Keith Jarret

Arquivo do blogue